O BEM E O MAL (FILME EXPERIMENTAL)

Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)

MONTANHAS E PLANÍCIES

Por Vânia Moreira Diniz (Brasília, DF)



(A autora é presidente da Academia de Letras do Brasil, Seccional Distrito Federal - ALB/DF)

ARABESCO


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

O arabesco ecoa trombetas

antigas inimigas percorrem

muros no estado do barulho


o arabesco mudo

em mudanças

na trama não urde

o tecido esgarçado


amigas chegam

no calor da noite

tocam seus dedos

sobre as feridas


o arabesco desnudo

em traços percorridos

no silêncio do dia findo.

DETALHES


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC) 

Busca nos detalhes

o ponto de apoio

anelo

anelado dedo com que se defende dos oferecimentos

e se esconde dos tormentos
  

detalhes o mantém à salvo das estéreis horas

de retornos fossem pedras carregadas nos bolsos

raivas concentradas na incapacidade do espelho



enrola o fio

o anel cintila

no dedo solto

em sobressalto


não há morte nos detalhes secos e ásperos


o tempo ajustado

solta as amarras

retira o anel.


CORPOS E MARCAS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)


O corpo marcado

no que outros corpos

escondem


o segredo da vida

posto

disposto

reposto

em respostas

marcadas
  

palavras silenciam

o corpo esclarece

e marca
  

o medo cristaliza

mentiras em verdades

e o corpo

se transubstancia

na maldade

de alguém cujo

corpo marca.

FIM


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)



Imagem em que te enxerga

enquanto o dia não chega

porque o mundo acabou

antes da alba



remoças o corpo em que te vejo

na idade vulgar: carinho

com que te entrego

o mundo antes que acabe



recomeças a imagem

em passado tempo

de reflexo malfeito

e na poça d’água pisas

o barro molhado

de que serias feita



refazes o início


em renovada imagem e reflexo



o que vês te alucina: passas

pela estrada em que não chegas

que o mundo findou teu destino.


SEUS OLHOS

Por Ildefonso de Sambaíba (Brasília, DF)