sábado, 2 de março de 2019

米津玄師「Lemon」(COVER) by カルメン 悦子

Por Carmen Etsuko (Assunção, Paraguai)

QUERO REZAR

Por Vânia Moreira Diniz (Brasília, DF)



(Presidente da Academia de Letras do Brasil, Seccional Distrito Federal - ALB/DF)

LUAR


Por Maria Félix Fontele (Brasília, DF)




PASSOS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)



Em cobertos caminhos passos distraem

o sentido em que vive o prisioneiro na rua

de paralelepípedos colocados lado a lado

o acento o acerto com que se compromete

entre margens o leito esteira espumas

no passado com a nitidez do agora fosse

antes e teria a ilusão do ato gestos

perdidos em acenos de quem reparte

onde o destino se entranha: a máquina

no barulho pela janela aberta paisagem

não são pedras postas ou atirados jogos

em que se enredam as mãos permitem

o encontro fortuito no tombo a pedra

esfola e sangra o pé na pressa

e a presa escapa novamente

a rua passada lembra o começo

e o pavão abre as penas

apenas árvores escutam o segredo

folhas em tapetes onde o passo rápido

do calçado marca o espanto.

MERIDIANOS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)



atrás do sol fomos os primeiros

e o calor nos recompensou

atrás do frio fomos os segundos

e o gelo nos aprisionou



soubemos do calor

              e do frio

                 do que recompensa

              e do que aprisiona



para sempre alternamos

recompensas e gelos

calores e prisões



meridianamente

escolhemos

nossas moradas.


AS ONDAS QUE CAPTAMOS


AS ONDAS QUE CAPTAMOS



Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)



Já repararam, que o nosso céu, o nosso espaço, é atravessado por imensas ondas de Rádio e TV, que se cruzam e se recruzam, percorrendo distâncias, quase infinita?
Não as vemos, é certo, nem as sentimos; mas existem.
Como os aparelhos de rádio e TV, captam as ondas, o nosso cérebro, também, sintoniza, não essas, mas outras, que não podemos ver, mas sentimo-las.
Nunca ouviram dizer: “ Anda qualquer coisa no ar! …”, referindo-se a mudança de regime ou calamidade? São “ondas” de boatos, de notícias tendenciosas, que a mente capta, e guarda no subconsciente.
Dizem: “ Está na moda”; “ Isto ou aquilo, é preconceito”; “Agora é assim.”; “Todos o fazem”…
E por que está na moda?!
Porque grupo de indivíduos, que têm o poder de influenciar, através da mass-media, conseguiu-nos hipnotizar, a tal ponto, que não somos capazes de pensar nem raciocinar, discernidamente.
Outrora, usavam a literatura; depois, o cinema; agora: a TV, Rádio e Internet.
Servem-se de tudo (até das telenovelas,) apresentando-nos cenas e atitudes indignas, para nos narcotizar. O hábito de as vermos, adormece os nossos valores (quando os há,) despertando o desejo de aceitar o que outrora rejeitávamos.
E aceitamos, porque não queremos ser considerados: retrógrados e antiquados.
Adotamo-nos, então, à realidade, ao que a maioria: aceita e acata.
Todavia, defendemo-nos, culpando: companhias e o meio ambiente. Sem dúvida, que as pessoas que conhecemos ou vivem na nossa cidade, exercem grande influência, no nosso modo de pensar e agir; mas, é bom lembrar: que cada um pode e deve, criar o seu próprio meio.
Se frequentarmos lugares sadios; se lermos livros edificantes; se assistirmos a espetáculos dignos; se escolhermos amigos respeitosos, edificaremos o nosso próprio carácter, com pensamentos positivos.
Claro que não é possível o isolamento, porque não somos uma ilha, nem isso seria útil; nem é necessário apartarmo-nos de tudo que é negativo; mas devemos pesar e confrontar tudo, com os nossos valores.
Ser responsável; ter princípios; ideias próprias; não se deixar levar pela corrente; e, muito menos, ser marioneta e imitador, é que forma o homem inteligente e de carácter.
Sejamos apenas nós próprios, e seremos felizes.

ISAURA CORREIA SANTOS





ISAURA CORREIA SANTOS

UMA GRANDE SENHORA DO ALENTEJO



Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)


Certo dia, Isaura Correia Santos, indignada com certa articulista, que escrevera: “ As mães portuguesas oferecem os filhos, para defenderem a Pátria”, resolveu publicar crónica, afirmando: que era mãe e portuguesa, e não “ oferecia” o filho para ir para a guerra.
Mal sabia a ilustre escritora, que o desabafo, iria desencadear enxurrada de impropérios.
Foi enxovalhada, e houve até, quem rebuscasse sua vida particular, descobrindo, no passado, motivo para a insultar, como mulher e cidadã.
Isaura Correia Santos nasceu a 1914, em Alegrete, em plena planície alentejana. Ainda menina (17 anos,) casou com o pintor Abel Santos. Cedo se dedicou às letras, tornando-se conhecida, como autora de livros para a infância.
Suas crónicas, sempre interessantes e incisivas, apareciam, principalmente, in: “ O Comércio do Porto”, e “ Republica” .
Foi colaboradora da BBC. Notável conferencista; e o Governador do Texas, concedeu-lhe o honroso título de cidadã honorário desse Estado Americano.
Nas tardes de sábado, reunia, na sua casa, na Praça da Galiza, no Porto, intelectuais e amigos. O chá, que servia em xícaras de fina porcelana, todas diferentes, mas todas de grande beleza, ficou famoso no meio artístico portuense.
Uma manhã, ao regressar de Soutelinho (Povoa do Varzim,) sofreu grave acidente.
Visitei-a na Ordem da Trindade. Recebeu-me a Filó - empregada e amiga, que nunca a abandonou.
Isaura Correia Santos, falou-me do acidente e da forma carinhosa como as irmãs (freiras) a tratavam.
Disse-me, então, à puridade: “ Os olhos, agora, começam a ver o interior. Compreendo melhor a Vida e Seus mistérios…”
Admirava o Padre Cruz, e confiava em Deus, apesar da pouca fé que possuía.
Noutra ocasião, afirmou:
“ Este acidente fez-me compreender o que nunca havia conseguido alcançar. Tenho rezado muito…”
A escritora, que se notabilizou com a obra: “ O Senhor Sabe Tudo Contou”, recebeu o prémio: Maria Amália Vaz de Carvalho.
Numa manhã fria de Fevereiro, do ano de 1989, fui visitar Frei Martinho Manta. Logo que me viu, disse-me, compungido:
- “ Sabe quem morreu?! …Uma grande Senhora do meu Alentejo: a escritora Isaura Correia Santos! …”
Antes de falecer, confidenciou, na Ordem do Carmo (onde estava hospitalizada,) a amiga: que não receava morrer – até desejava, – visto gora acreditar numa outra Vida, e principalmente na misericórdia divina.