quinta-feira, 1 de junho de 2017

ANIVERSÁRIO DA ALB NACIONAL




A OPINIÃO DE ROBERT SPAEMANN

 Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal) 

Robert Spaemann é um conhecido filósofo alemão, que nasceu em Berlim, no ano de 1927.
É de parecer, que recordar Auschwitz, é dever de todos, mas não crê, que os jovens aprendam com os erros do passado.
Não crê, porque os intelectuais de esquerda, que criticam – com razão, – as crueldades praticadas pelos nazistas alemães, esquecem – ou será que não conhecem a História!? – os crimes de Estaline…
Spaemann, considera que se fala demasiado do “ Terceiro Império”, mormente na escola. “Isso provoca, em muitos jovens, um reflexo de aversão. Eles perguntam-se: que temos nós a ver com isso? E essa reação pode ir tão longe, que eles acabem por negar Auschwitz e se sintam atraídos pelos radicalismos de direita.”
Na entrevista que concedeu ao semanário “Der Spiegel”, a 20 de Novembro de 1995, conta: que a maioria dos alemães, do tempo do Hitler, conheciam o que se passava, mas não se incomodavam grandemente.
Narra, que certa ocasião, tinha 14 anos, entrou num autocarro, onde seguia um judeu, com a estrela ao peito.
Um jovem nazi, virou-se para ele e disse-lhe para se levantar e dar-lhe o lugar.
Obedeceu prontamente. Spaemann sentiu obrigação de oferecer o seu, ao judeu. Mas receou…Teve medo.
Ficou tão revoltado com o comportamento, que só pensava em derrotar regime tão cruel.
Mas – em sua opinião, – ninguém se incomodava com as barbaridades praticadas pelo regime: “ Quase ninguém queria saber a sério…Agora, todos falam…”
Assevera que os soldados, que regressavam da frente, sabiam dos crimes que se cometiam: “ Podiam saber, se quisessem”.
Preferiam: “ ir na onda”…
Hoje, (1995), segundo Robert Spaemann, não é muito diferente: adaptam-se, sujeitam-se aos regimes vigentes.
Abro parênteses para acrescentar – a opinião é minha, –: a maioria dos cidadãos acomoda-se às circunstâncias: são de direita ou de esquerda, consoante os interesses. Mudam de ideologia, (até de religião!) de harmonia com as vantagens pessoais.
Há honrosas exceções. Há quem seja vertical, mesmo em situações adversas, mas são muito poucos.

A maioria, são como disse o filósofo, referindo-se aos alemães contemporâneos de Hitler: “ Quase ninguém queria saber a sério”…

FAMILY PLANNING

By Arjun Singh Bhati (Jaisalmer, India)

It was ten o’clock in the morning. Students playing outside the school boundary heard the familiar sound of “tan…tan…tan.…”  A boy was hitting a small iron rod on an iron angel hanging on the branch of a dry tree in the school campus.  All the students came in, left their bags in their classrooms, and rushed behind the building into the shadow of the building for prayers. All the students were in lines now; they folded their hands and prayed. It was a primary school.  A headmaster and his three assistants took the attendance register and went into the classrooms.
The headmaster went into the eighth class. He asked his students to open the social science textbook. “Well, we will read lesson seventeen today. It is about population.”He asked one of the students to read the lesson. “Listen to him carefully. I will ask someone to continue reading from where he finishes.”
The student read the first paragraph of the lesson out loud. The headmaster then asked the next one to keep reading, continuing from the next paragraph. All the students heard the lesson carefully read by their classmates.
“Well, now I will ask you some questions. Keep your books in your bags.” He asked, “What are the main causes of population growth?” Some of the students raised their hands while others looked down. He asked a student sitting in the front row. The student replied in mixed language, half Hindi and half local dialect. But he answered the question even in broken sentences. The teacher looked quite impressed with his answer.
“Well, my next question is: What are the ways to check population?” This time he asked a boy who was sitting in the back row. The boy did not know the answer, but just to try his luck, he raised his hand. He was sure that the teacher would not ask him. But he was caught. The boy stood up and could not reply.
The teacher got angry with him. “Come here, you idiot,” he roared. “Why did you not listen when the boy was reading the lesson? You are very careless. Where is your father? Call him tomorrow; I will complain to him. Now get out of here, you idiot.” The boy had just turned back to leave the class, when suddenly a Bollywood ringtone rang somewhere. It was a cell phone in the headmaster’s pocket.
He took the phone out and replied, “Hello, hello.” But the network failed, and he could not hear anything. Within a few seconds, the phone rang again, and this time to hear clearly, he switched on the cell-phone speaker. A lady’s voice sounded from the phone.
“Hello, hello. Yes, I can hear you,” the headmaster replied this time.
 “Congratulations on the birth of your son.” The headmaster smiled, and the students laughed.
 “Shut up,” he cried and left the classroom. The students laughed loudly again. They knew the headmaster’s family well.
Just three months previously, his family was living here near the school building. He had eight children: four daughters and four sons, and now with the latest news, he was the father of nine kids.

The boy who could not answer asked the students, “What are the ways to check the population?” and one of the students replied, “Our headmaster knows better!”

AJEDREZ

Por Jorge Luiz Borges (Buenos Aires, 1899 – Genebra, 1986)

                            I

En su grave rincón, los jugadores
rigen las lentas piezas. El tablero
los demora hasta el alba en su severo
ámbito en que se odian dos colores.

Adentro irradian mágicos rigores
las formas: torre homérica, ligero
caballo, armada reina, rey postrero,
oblicuo alfil y peones agresores.

Cuando los jugadores se hayan ido,
cuando el tiempo los haya consumido,
ciertamente no habrá cesado el rito.

En el Oriente se encendió esta guerra
cuyo anfiteatro es hoy toda la tierra.
Como el otro, este juego es infinito.

                            II

Tenue rey, sesgo alfil, encarnizada
reina, torre directa y peón ladino
sobre lo negro y blanco del camino
buscan y libran su batalla armada.

No saben que la mano señalada
del jugador gobierna su destino,
no saben que un rigor adamantino
sujeta su albedrío y su jornada.

También el jugador es prisionero
(la sentencia es de Omar) de otro tablero
de negras noches y de blancos días.

Dios mueve al jugador, y éste, la pieza.
¿Qué Dios detrás de Dios la trama empieza
de polvo y tiempo y sueño y agonías?


(1960)

ICONOCLASTA

Por Samuel da Costa (Itajaí,SC)

Foi de repente...
Depois de muito tempo,
Ela decidiu voltar para casa...
Sem qualquer explicação aparente
Sem dizer uma palavra sequer...
Sem dar motivos para sua partida
Ou mesmo do seu retorno...
E eu afinal de contas
Sem dizer nada
Uma palavra ao menos...
Sem saber o que fazer
Acabei aceitando-a de volta
Como se eu não fosse nada
Uma mera figura decorativa
Bem ali parada
Disponível
Dispensável & artificial
Contudo
Já não poderia viver sem sua doce presença
Na minha vida...
Tão inconstante & breve
Não tinha como não aceitar
As coisas são assim inexplicáveis...
Inconstantes
Irreais
Surreais...

A INFLUÊNCIA DA CASA PATERNA

 Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)
  
Disse o grande pedagogo Ribeiro Sanches, na “ Cartas Sobre Educação da Mocidade”, que: “ O povo não faz boas nem más ações, que por costume e por imitação.”
E disse bem: somos o que somos porque vivemos em determinada época, influenciados pelo que ouvimos e vemos; movidos pelas atitudes e comportamentos, que presenciamos ao longo da vida, mormente na infância.
Em “ Psychologie de l’Opinion et de la propagande politique” – Paris, 1927 – Jules Rassak, confirma o que assevero: “ As impressões recebidas na casa paterna, a recordação da sua maneira de viver, das suas opiniões e dos seus atos, subsistem no subconsciente e exercem influência sobre o estado consciente.
“ Mesmo as pequenas impressões sentidas, os acontecimentos insignificantes, as peças de teatro, as leituras etc., não são esquecidas, persistem no subsolo da nossa alma, e influenciam a nossa vontade e o nosso pensamento.”
Essa influência, é – apesar dos malefícios da globalização, – notória, se compararmos a sensibilidade de vários povos. É essa influência, que faz, que povos, que vivem em territórios ricos, vegetem numa quase miséria, enquanto outros, que habitam em terras pobres, prosperem.
Recordo, que, quando o ciclismo estava na berra, e os operários deslocavam-se de bicicleta – em meados dos anos cinquenta, – ver pelotões de trabalhadores, subirem a avenida da minha terra, em competição. Todos queriam ser: Camisola Amarela!
E o mesmo acontece com a “ vocação” de muitos adolescentes, durante o Campeonato Mundial de Futebol. Todos desejam ser jogadores!
Basta dizerem que está na moda: o ioiô, e todas as crianças querem ter um. Recordo a coqueluche do hola-hupe, do cubo mágico, da pulseira magnética…e presentemente do pokémon go.
Dizem: estar na moda, e isso basta para que todos comprem; para que todos usem.
Até na literatura, e na música o “fenómeno” acontece!
O livro é vendido, não pelo valor da obra ou utilidade; mas, devido à eficiente propaganda; e o mesmo sucede à música.
Concluindo: se temos a sociedade que temos, é devido à educação que transmitimos aos filhos; às escolas que temos; e a conceitos que inculcamos às crianças, desde o berço.
Como queremos sociedade mais justa, se todos – ou quase todos, – damos o mau exemplo de obter tudo com o “ jeitinho”; se corrompemos, o semelhante, com dinheiro; e as nossas condutas são deploráveis!

Os jovens, são, em regra, a educação que recebem, como disse Rassak. “ As impressões recebidas na casa paterna…influenciam a nossa vontade e o nosso pensamento.”

PROZAC PEOPLE

 Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Eu não sou
Como as outras pessoas!
Eu prefiro enlouquecer
Em horas marcadas.
Em datas pré-agendados...
Para evitar certos olhares tortos,
Comentários maldosos & certos constrangimentos!
***
Eu prefiro enlouquecer em dias...
Previamente marcados!
E em horas remotas.
E em dias remotos.
Sem que ninguém perceba...
***
Eu prefiro enlouquecer aos poucos...
De forma bem lenta!
E completamente sozinho...