domingo, 2 de junho de 2019

ARRANHA-CÉUS

Por Manoel Ianzer (São Paulo, SP)


POEMA

Por Terezinha Manczak (Blumenau, SC)



LIMITES


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

O tronco atravessado
impede a passagem
como último favor

a não ultrapassagem
fixa os limites da fronteira

a borda sinaliza
ficar e permanecer

voltar os olhos
e retornar o corpo
daquele ponto

esperar que o tronco
apodreça e o homem
perca a angústia
e a ansiedade.

VIGIAS


Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)



O vigia

a vigia

a vigilância

o vigilante



no piscar dos olhos

o instante é tarde

o amor instalado

estala os dedos



o vigor dos corpos

o eterno

os vasos comunicantes

os amargos das especiarias



ao amor compete

saber antes agora depois



ao vigilante vigiar

as estradas e as saídas.


SAMUEL DA COSTA


Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)
           
            A nossa literatura brasileira vêm de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros reconhecidos. E os que se destacam fazem um grande trabalho trazendo representatividade para toda população negra. Em destaque temos o escritor e poeta Samuel da Costa. Samuel da Costa é um grande escritor catarinense que traz na sua escrita o resgate de palavras em desuso da língua portuguesa.
            Em alguns trechos de seus versos me perco entre o poeta de Itajaí e o poeta de Florianópolis Cruz e Sousa. O lado melódico, dramático, romântico, e cético é constante em seus versos.  Uma obra neo-realista e um tanto contemporânea e simbolista.  O poeta vem para marcar a literatura brasileira do século XXI. O Catarina nasceu na cidade de Itajaí em 5 de agosto de 1975.
            Um dos seus livros, ‘’Uma Flor Chamada Margarida’’ traz em simplicidade a dor, a solidão, demais emoções e as mudanças da vida.  Sua escrita tem uma particularidade e contrasta com a velha escrita. Os seus poemas e seus emblemáticos personagens em suas prosas fazem da sua obra uma escrita única. Uma vertente de vários cenários e sensações. O que mais marca na sua escrita são as diversas mulheres escritas por ele.             Em cada uma retrata a dor, o desejo, a fantasia sem fugir da realidade. Cada trecho uma sensação de sentimentos. Muitas das vezes falou de amores fugazes em breves momentos.  Em meio há tempos modernos, onde a tecnologia digital e mídia se contrastam esse amor eloquente e sua escrita sobrevive.
Na sua bagagem literária têm em seu currículo três grandes obras, o primeiro se chama ‘’Horizonte Vermelho’’, o segundo ‘’Uma Flor Chamada Margarida’’ e em terceiro o livro Século XX.  Sua ligação com a literatura começa na faculdade. Em 2005 largou publicidade e propaganda na UNIVALI. Já em 2010 entrou na faculdade de publicidade e propaganda no IFSC. Por fim, entra em 2011 na UNIASELVI para fazer belas letras, onde então se formou em 2017. Diariamente sua luta tem ganhado mais força, mostrando a resistência do povo negro e assim Samuel da Costa tem nos representado com maestria. Como ele próprio diz não é fácil ser negro, pobre e escritor no sul do Brasil.



ÍNDIA

Por Vivaldo Terres (Itajaí, SC)

Índia és das brasileiras a mais bela,
Das brasileiras, és a mais singela.
Cheia de simplicidade e amor.
És a flor que perfuma o ambiente,
És o sol que ilumina esta gente,
Enchendo o coração de luz e calor.
***
Este teu corpo moreno!
Que o belo sol irradia.
Transmite luz e alegria.
Para todos os teus irmãos.
***
És a fonte da humildade,
Banhada de esperança.
Com os cabelos soltos Ao vento...
Pedindo apoio cristão.
***
Pois o teu povo sofrido!
Até então quase extinguido,
Vê em ti a salvação.
Sabem que és guerreira forte.
E que não temes a morte,
Com o bodoque na mão!


O ANONIMATO


  Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)                                                                                                        
            Ao longo do tempo escrevendo sobre a mulher negra pode perceber o quão difícil é para ela falar sobre sua vida passada e atual. O receio também é de sua família, muitas têm uma relação familiar nada fácil, não porque não querem e sim porque a sua família dificilmente aceita a mulher que elas são. Muitos são avessos ao crescimento da mulher.
            O medo faz parte do histórico de vida da mulher. Ao falar com muitas mulheres de São Paulo sobre suas vidas a primeira exigência delas para comigo era que tudo fosse relatado no anonimato. Uma porque haviam pessoas da família envolvidas, segundo porque seus amigos e vizinhos saberiam de quem eu estou falando. Terceiro que o julgamento poderia ser maior do que ficar em silêncio e aceitar calada toda a situação. Porque normalmente a mulher é vista como a culpada de tudo.                                           
            Quando a história não é com a gente não damos importância a situação do outro. Quantas mulheres sofrem caladas e humilhadas? Quantas mulheres hoje não podem mais falar porque estão mortas? E quantas mulheres hoje se escondem em seus quartos?
A gente sente a proporção de tudo quando vive as mesmas situações. Quando eu ia imaginar na infância que a cor da minha pele iria fazer tanta diferença? Quando eu iria imaginar que de ‘’patinho feio’’ eu iria me sentir a mulher negra tão linda e ser desejada por muitos?
            Mas apenas o corpo é desejado e não a mulher por inteiro.  Nossa relação com o corpo é um tanto conflitante. Primeiro a relação com o cabelo cercado da ideia de cabelo ruim trazendo para a mulher insegurança e difícil aceitação de quem ela é. Segundo a sua relação com a cor da pele. Terceiro a sua relação com o corpo. Posso dizer que o anonimato de certa forma é para ela a sua segurança. A mulher negra ela quer falar. Ela quer ajudar outras mulheres.
            Mas não quer passar novamente pela a não aprovação de familiares e amigos. Claro que muitas preferem o silêncio, pois acham que assim vai esquecer-se de tudo. A dor não será tão profunda. Porém ocorre o risco de isolamento do convívio social e familiar.