terça-feira, 1 de agosto de 2017

PRAIA


Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)


ZUMBITEIRO

Música: Anand Rao
Letra: Jorge Amâncio


O BARQUINHO (2017)

Por Paccelli José Maracci Zahler (Brasília, DF)


VERSOS NO JORNAL

Por Ernesto Wayne (Bagé, RS)

Vou escrevendo meus versos,
Com eles vou-me entretendo,
Descrevo, escrevo, reescrevo,
Desescrevo sem parar;
Vou escrevendo meus versos
Para botar no jornal –
Um dia, ponto final
Nos versos que tantos fiz.
Quem sentir falta de mim
Não precisa ir até LÁ,
Pois que LÁ não estarei
Que sofro muito de insônia
Para me estender deitado
Num colchão que, por estofo,
Só tenha torrões de terra:
Serei trapo de papel
No qual estarão impressos
Os meus versos no jornal.
Redemoinharei nas ruas
No corrupio do vento,
Serei barco na sarjeta
E nas cascatas das lombas,
Serei folha de periódico
Pra não pisar no molhado
De salas que se lavou
E serei diário nas vilas
Onde, em série, se recorte,
Para fazer em fileiras
Meninas se dando as mãos
No enfeite de prateleiras;
Bonecas multiplicadas
Braços abertos em cruz
Com seus vestidos de letras;
Ciranda feita à tesoura
As silhuetas rendadas
Das marionetes suspensas
Nos frisos toscos de armários
Das casas dos arrabaldes;
Serei velho matutino
Que empacota compras feitas
Nos pobres bares dos bairros;
Terei, também, mas não digo
Serventia nas privadas,
Seja em tinta de impressão
Ou cilindros de crepom;
Serei embrulho de louças
De inquilinos que se mudam
E roto, todo amassado,
Irão me catar no lixo.
O restante que sobrar
Irá amarelecendo
Na palidez do papel,
Será roído nos pratos
De um refeitório de ratos
Até que, em mim, abras as portas

Um restaurante de traças...

(Nota: Ernesto Wayne é patrono da Cadeira nº 09 da ALB/DF)

DO PIOR POEMA

Por Ernesto Wayne (Bagé, RS)

(À maneira de Joaquim Osório Duque Estrada e Chico Buarque de Hollanda}

Um bom poema só se escreve lúcido
Um mau poema só se escreve bêbado

Um bom poema só se escreve sóbrio
Um mau poema só se escreve ébrio

Um bom poema se se é doméstico
Um mau poema só se escreve trêmulo

Um bom poema é uma coisa sólida
Um mau poema é uma coisa líquida

Um bom poema é comunitário
Um mau poema é de um solitário

Um bom poema pra quem a vida é boa
Um mau poema pra quem a vida é má

Um bom poema é pra professor
Um mau poema não tem profissão

Um bom poema pra quem a vida é canto
Um mau poema pra quem a vida é pranto

O bom poema é o que a gente mostra
O mau poema é o que a gente esconde

Um bom poema qualquer um o faz
Um mau poema é o que se desfaz

Um bom poema é pra ser estudado
Um mau poema é pra ser decorado

Um bom poema é nosso filho plácido
Um mau poema é nosso filho fúlgido

Um bom poema é nosso filho íntegro
Um mau poema é nosso filho pândego

Um bom poema é nossa maquilagem
Um mau poema é nossa mesma imagem

Uma mesma coisa é o seu contrário
O contrário de uma coisa é a própria coisa

Se fiz, esqueçam os meus bons poemas
Melhor de mim é meu pior poema


(Nota: Ernesto Wayne é patrono da Cadeira n° 09 da ALB/DF)

HOMENAGEM TARDIA

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Homenageio em vocês 
o badalar não desdobrado 

é de luto a minha homenagem
e vocês não estão presentes

suas ausências privilegiam
o futuro de tempos melhores

homenageio em vocês
a palavra triste da saudade

é de luto a minha homenagem
e vocês estão ausentes

a minha saudade
é tardia e as ameaças

permanecem presentes.

LATE HOMAGE

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

 (Marina Du Bois, English version)

I homage in you
the unturned bells

my tribute is in mourning
and you are not present

your absences privilege
the future of better times

I homage in you
the sad word of longing

my tribute is in mourning
and you are not present

my longing
is late and the threats

remain present.