NÃO! EU NÃO QUERO MAIS SER NEGRO!

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

Cansei de ser negro
De ser parado pela polícia
Ser confundido com um bandido qualquer
De ter relações promíscuas com os políticos
Sendo sempre massa de manobra
Na mão de algum abnegado...
Não! Eu não quero mais ser negro
Ser minoria nas universidades
Ser tachado de preguiçoso...
Ser o primeiro de lista dos desempregados
Não quero ficar para trás
De tudo
De todos
Das oportunidades
De um futuro melhor
Não quero mais ser negro
Ser excluído de todas as formas
De todas a maneiras
Definitivamente estou casando de celebrar
Meus ritos escondidos
Dos olhos da sociedade
Não quero mais ser negro
E ter a responsabilidade de ser:
No melhor no futebol
Ser bom no pagode
Não...
Não quero mais ter um passado
negro
Que cheira a escravidão
Que cheira a dor
Quero renunciar ao meu futuro
De dor
Não quero mais ser negro
Chega de sofrer
O banzo pós-moderno

COM LICENÇA, EU VOU À LUTA

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

(Para Tais Carolina Rita)

Meu senhor vai bem!
A colheita foi boa!
Este ano...
Este século...
Para o meu senhor tudo vai bem!
Alguns negros fingiram!
Outras negras pariram,
Muitos outros...negros!
Meu senhor a colheita foi boa!
Este ano!
Este século...
Foi boa
Os Negros?
Os negros!
Alguns morreram...
Alguns Forros
Mas outros ficaram
Meu senhor
Meu amo...
Meu sinhô
A colheita foi boa!
Mas as correntes enferrujaram
Sinhô
E os negros e negras
Forros
Não estão mais aqui
Contudo preferiram
Ficar!
Livres!
Dispersos!
Por ai em qualquer lugar

NO VALE DO ESQUECIMENTO PERPÉTUO

Por Samuel da Costa (ALB, Anápolis, GO)

Quando a malta passar
Não vão me encontrar
Pois há tempos não me encontro
Onde eles pensavam que eu estaria
***
Faz muito tempo que parti
Fui até o Vale do esquecimento perpetuo
Colher negras flores
Para o meu negro funeral de ontem
***
Quando a turba ensandecida passar
Sedenta por sangue inocente
Não vão me encontrar
Pois há séculos
Não estou mais estático
Como eles pensam que estava


DENOUEMENT

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

In denouement
I close the door
and  inside
I forget
the time
allowed
to philosophical
thinking

I care and zeal
my granted time
in random disillusion
of mistakes

I close the notebook
and rest the hand
above time

the lifeless graffiti
on confessed reasons
in judgments.

(versão Marina Du Bois)


DESFECHO

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

No desfecho
fecho a porta
e dentro
esqueço
a hora
permitida
aos pensamentos
filosóficos

o desvelo com que cuido
meu tempo permitido
na desilusão aleatória
dos enganos

fecho o caderno
e repouso a mão
sobre o tempo

o grafite inerte
sobre razões confessadas
em juízo.


SCUNNERS

By Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

I dislike the nausea expressed
feelings: the water level raised
to the disgust endeavor.
The body pushed to the bottom
of resumption in another way: feelings transiting in informality
odiums and loves outworn in negative
tastes linked to the memory. I realize the
imperceptible mistake and I amplify thee
in exernal knowledge
where the established gesture
recovers the sense: the retiring
disgust gives the space
where I retract myself: the scunner
hinders the cobbles movement
in unthought memories.

(versão Marina Du Bois)


DESGOSTOS

Por Pedro Du Bois (Balneário Camboriú, SC)

Não gosto do sentimento expressado
em náuseas: ondas elevam o nível
d’água ao extremo desgosto.
No afogamento o corpo levado ao fundo
do recomeço em outra forma: informalidade
com que sentimentos transitam
ódios e amores desgastados em gostos
negativos atrelados à memória. Reparo
no erro imperceptível e o amplifico
em externo conhecimento
onde o demonstrado gesto
recupera o sentido: retraído
o desgosto gera o espaço
em que me recolho: o desgosto
tolhe o movimento empedrado
em irrefletidas lembranças.