REALIZAR

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)


 
Posted by Picasa

FRIO

Por Ridamar Batista

Da janela vejo o frio
Queimando o rosto das gentes
Perambulantes, vadias
Sem vontade de chegar
O cigarro aceso nos lábios
O vento está a tragar
E venta de sul para norte
Em tempestades, tormentas
Encrespando as ondas do rio
Enlouquecendo o mar
As nuvens sombrias descrevem
Lições tão fáceis de ler
A borrasca ainda persiste
É tempo de se esconder.
E se o poeta perguntou
“Mudei eu, ou muda o tempo”
Eu digo que tudo mudou.
Aqui dentro da cabana
Já não faz tanto penar
O vento que sopra molhado
Não esfria nossa cama
Temos muitos apetrechos
Temos toda proteção
A casa está fechada
Da janela vejo tudo
Mas não deixo o frio entrar.

A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA (ANIMAÇÃO, 2003)



A Moça que Dançou Depois de Morta

Gênero: Animação

Diretor: Ítalo Cajueiro

Ano: 2003

Duração: 11 min

Cor: Colorido

Bitola: 35mm

País: Brasil

Local de Produção: DF

Baseado em uma história de cordel de J. Borges, renomado artista popular, e produzido inteiramente com xilogravuras originais do próprio autor. Um rapaz se apaixona por uma misteriosa moça num baile de carnaval do interior.

Ficha Técnica

Produção: Ítalo Cajueiro Fotografia: André Cajueiro, Ítalo Cajueiro Roteiro: J. Borges Direção de Arte: Ítalo Cajueiro Animação: Ítalo Cajueiro Produção Executiva: Ítalo Cajueiro Montagem: Elvis Kleber, Ítalo Cajueiro Música Lito Pereira

Prêmios

Melhor Roteiro de Animação no Cine PE 2004
Melhor Trilha Sonora no Festival de Belém 2004
Prêmio UNESCO no Festival de Cinema de São Luís 2004
Melhor Trilha Sonora no Mostra ABCD - Brasília 2004

FAZER

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)

Feito ao avesso: da cabeça
aos pés transitam ordens desconexas
o primeiro limite estabelece o siso
o último rearranja as forças
com que chuto as pedras

desconheço a determinação
da placa: disparo
ao encontro do corpo
contrário e o choque
desintegra o mito
da cordialidade.

CAMINHADA

Por Paccelli M. Zahler

Tanto sonho sonhado,
Estraçalhado e desfeito,
Deixando nosso peito
Bastante amargurado.

Sonho não realizado,
Há pouco latente
Dentro da gente,
Morto e enterrado.

Recomeçar outra vez?
Uma nova caminhada?
Dúvidas atrozes
Ao longo da estrada.

DO DIREITO À INFORMAÇÃO

Por Paccelli José Maracci Zahler


Observando os esforços internacionais em favor da globalização, através da criação da Organização Mundial do Comércio, verificamos fenômenos interessantes em todos os países signatários. Ao mesmo tempo em que se comprometem a cumprir os princípios de harmonização, equivalência e transparência de procedimentos de modo a facilitar o livre trânsito de mercadorias entre seus territórios, firmando inclusive acordos para a formação de blocos regionais, vêm estabelecendo barreiras técnicas, muitas vezes infundadas, como alternativas ao protecionismo.
Dentro de cada país, as informações a respeito das barreiras técnicas têm sido filtradas pelos governantes e omitidas nos acordos bilaterais, desvirtuando o "princípio da transparência" e constituindo-se, na maioria dos casos, em "censura científica".
Lamentavelmente, os jornalistas não têm uma formação técnico-científica que lhes permita identificar essas pequenas filigranas, mesmo porque seu trabalho destaca as decisões econômicas e políticas que afetam diretamente o cidadão.
Quando as medidas têm um impacto maior como, por exemplo, sobre as importações e exportações, vão buscar informações nos órgãos públicos. Lá, ficam à mercê de administradores deslumbrados que, além de não pertencerem ao quadro técnico das instituições públicas pois são nomeados politicamente, desconhecem o trabalho lá desenvolvido e, na maioria dos casos, o próprio Regimento Interno. Assim, dependendo de sua eloqüência e de suas ambições políticas (vale lembrar que administradores públicos nomeados politicamente almejam galgar postos mais elevados e não estão ocupando seus cargos por acaso), transmitem ao entrevistador uma falsa visão das decisões tomadas. Em muitos casos, criticam os funcionários de carreira, chamando-os de ultrapassados, ineficientes e ortodoxos, e mostram um porvir cheio de esperança com a extinção do órgão que dirigem e a criação de outro mais moderno, eficiente e heterodoxo, ou seja, um balcão de negócios, para atender aos interesses dos seus apaniguados.
Com uma habilidade característica de todo o administrador comprometido com interesses escusos, desvia a atenção do objetivo da entrevista, fazendo com que o homem de imprensa transmita uma falsa visão aos seus leitores.
E assim têm passado os dias, os anos e os séculos, e os círculos viciosos, viciados e corruptos continuam a nos governar e a nos censurar, impedindo-nos do acesso à informações importantes, cruciais para decidirmos nosso destino.
O sentimento de liberdade é algo inato a todos nós. Mas para sermos livres e exercermos plenamente nossa liberdade de expressão, como dizia Erich Fromm, "devemos ser capazes de ter pensamentos próprios".
Para termos pensamentos próprios, devemos ter livre acesso a informações confiáveis, transparentes, verdadeiras, para podermos analisar criticamente os acontecimentos.
Para atingirmos esse objetivo, necessitamos de uma imprensa livre, engajada com os sentimentos e interesses dos cidadãos. Livre para expressar-se e trazer nas primeiras horas da manhã uma análise precisa dos acontecimentos, independentemente dos anseios e ambições dos governantes.

(Publicado na Revista BRASÍLIA nº 85, julho/agosto/2000, p.7)

O MEU ANJO

Por Heralda Victor

Anjo? Eu tive um anjo!
Um anjo lindo que nasceu depois de mim...
Não tocava harpa, tocava violão.
Com dedos mágicos tocou meu coração.
Cantou suave dedicando uma canção,
Me fez dona de todo o seu amor!
Com presentes, beijou meus lábios,
Acariciou-me em segredo, trouxe uma flor.
Eu tive um anjo! Um anjo muito amado
A quem chamei de amante amigo e namorado,
De pele clara e cabelos cor de trigo,
Que por muito tempo ficou assim comigo,
Sem dizer nada apenas a amar...
Eu tive um anjo! Um anjo iluminado!
Um anjo que falava com cuidado
Escolhendo palavras para não magoar.
Eu tive um anjo que deixou saudade
Porque com ele conheci felicidade,
Que me chamou de amada, de querida,
Que prometi amar por toda a vida
E que jurou me amar até a eternidade!
Eu tive um anjo que me fez sorrir,
Que gostaria muito de comigo ficar,
Mas teve que atender a um chamado,
Não podia com ele me levar.
Eu tive um anjo que me fez chorar,
No dia que pra Deus teve que retornar.
Chorei muito. Ainda choro. Muito vou chorar
Mas sei que um dia desses qualquer dia,
O meu amado anjo vai voltar...





(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 10/2008)