O QUE SOU?

Por Paccelli José Maracci Zähler


Penso comigo mesmo,
Pra que vaidade,
Orgulho,
A gente

Caminhando sobre a terra,
Se tudo termina de repente,
É deitar e apodrecer
Embaixo dela?

Pra que a vida,
Fantasmas,
Mistérios?

Pra que cidades,
Pessoas,
Fome?

Almas perdidas,
Sem destino,
Desesperançadas!

Pra que a guerra,
O sonho,
A ilusão,
Se tudo termina
Num piscar de olhos?

E eu,
O que sou
Nessa loucura toda
A que chamam Vida?



(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

SE NÃO FOSSEM OS POETAS...

Por Paccelli José Maracci Zahler


Ah, se não fossem os poetas,
A vida seria amarga,
As flores não teriam cor,
Os homens não conheceriam
A sinfonia do Amor.

Ah, se não fossem os poetas,
A pena não teria forças
Pra denunciar a dor
Infligida pelas armas
De um facínora usurpador.

(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

Brasilíngua Por (Tu) Guesa(1979)

Por Gustavo Dourado

Laço em laço: enlace-me:
Pindoramafra: luzilázia…
A língua de Juca Pyrama:
Zumbi(u) Camoniânima
Luxafra - brasilíndia tupiguarânia
Morenua Rósea Sertântrica…

Floresce(u) Latim por tintim:
Romamor Romãe: proema
D África: Axé-Nagogô
Brasilis-flor naturativa
Antropofálica Mistura:
Frevo-fervor: Línguímã: Nheengatu…

Por tu Guesa:faço-me errantente
Trovejo-me silen cio nuniversom
Relambeijo a Língua-gen
Dos Grãs Sertons:
Lusíadas…Veredas…

BrasiLíngua! Por(tu)Guesa:
Lusídica rosa personalizada…
Experimentalizo la langue
Nas ancas filo-lógicas do verso…

Contra.passo-lhe numbigo:
Bahianauta barrococó Gregórion
Riobaldorim Casmurro Borba
Policarpideiro Caminha Drummond
Matias, Aires, Bernardim, Vieira…

Machado! Motor-serra textual
Álvaro Ricardo Alberto
Pessoa metalingual:
Santa Cecília cancioneira…
Murilo, Jorges, Sousândrade
Andrades, Campos, Bandeiras…
Serafim Ponte

Grande Mira o Mar
Bossa Nova: Tropicália…
Cobra Cabral Macunaíma…
Lima Barretom Jobim…
Rosa de Hiroshima.
Rosa das Minas:
Guímã-Rosa do Povo:
Embaixador do Ser-Tao…


(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

ENTARDECER

Por Gislaine Canales

A paz do entardecer...Fascinação...
Com mil beijos de cor sobre o universo!
Eu sinto, bem no fundo, o coração
querer cantar essa beleza em verso.

Fazendo, dessa paz, sublimação,
inunda-se no belo, submerso,
vivendo, assim, total transmutação,
esquecendo que o mundo é tão perverso.

Vai sonhando mil sonhos coloridos,
cantando mil canções, só de alegria,
e esquece a solidão dos tempos idos.

Realizando assim sua utopia,
de posse, então, de sétimos sentidos,
contempla o pôr-do-sol em poesia!

(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

AMO

Por Gislaine Canales

Amo com toda a força do meu ser.
Amo a beleza, a arte, uma canção.
Amo o eterno desejo de vencer.
Amo os versos que vêm do coração.

Amo as flores, é grande meu querer.
Amo essa amarga e triste solidão.
Amo os sonhos que estou sempre a tecer.
Amo o infinito em sua imensidão.

Amo também a morte, dura e fria.
Amo na morte, toda a ausência e dor.
Amo meu mundo em meio à fantasia.

Amo a tristeza, e mais, amo a alegria.
Amo a vida e esse mundo encantador.
Amo o amor, amo a paz, amo a poesia.

(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

HÁ A LUA

Por Delasnive Daspet

Não há borboletas voando
Ou pássaros cantando.
A superfície do lago esta calma, morta.
Nenhum mergulhão madrugador
Corta os céus.

Nenhum zumbido de inseto.
O vento não corre entre as árvores.
As folhas não farfalham.
A água não bate na praia.

A beleza, alimento d'alma,
já não existe...
Tão quieto o mundo,
Ou será só o meu?
O mais leve ruído quebraria
A camada do gelo que me cobre !

Ainda assim, há a lua.
Todas as noites.
Soturna, pálida, bela.
Só ela não muda o encanto.

É a ausência que tudo cala.
É o vazio que preenche o espaço.
É a força do nada que se avoluma.
É a mesquinhez que se agiganta
E nos apequena...

Ainda assim há a lua...
Todas as noites sento
Ao pé do salgueiro
A beira do lago
Fico em silêncio e ouço.

Escuto a vida,
Palavras lindas murmuradas
pelo vento.
Eu também te sussurro e peço
Que não demores, e que chegues
Nos raios do luar que comigo
Espera....Há a lua, sempre!



Sobre a autora:

Delasnieve Daspet é natural de Porto Murtinho, MS . É poetisa, advogada e faz trabalho social com menores carentes, em Campo Grande-MS. Publicou e preside a FALA-MS - Federação das Academias de Letras e Artes de MS. É Embaixadora Universal da Paz, Embaixadora do “Movimiento Poetas del Mundo” para o Brasil e proprietária dos sites:
www.delasnievedaspet.com.br( referendado pela UNESCO )
www.pantanalms.tur.br ( referendado pela UNESCO)
www.lunaeamigos.com.br ( referendado pela UNESCO)
www.ebooklunas.com.br
www.onlinebook.com.br
http://br.egroups.com/group/LunaeAmigos

(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)

"MEA CULPA"

Por Delasnieve Daspet

Na sucessão de erros que fiz na vida,
Em alguns, por sugestões,
Medo, passividade, me perdi.

Perdi meus sonhos;
Perdi os amigos...
Pois o medo retrai.
Não sei quanto tempo fiquei
Sem acreditar nas coisas e nas pessoas...

Deixei teu mal querer
Me contagiar e vivi em nebulosas.
Preciso reencontrar a fé
Nas coisas simples do ser e de ser...

Minhas alegrias...
Já não as lembro.
Não lembro o imenso amor,
As esperanças e mágoas,
Toldaram-se, todos, de cinza
Das tristezas que acumulei...

Eu nem percebi que me perdi,
Que nos perdemos há tanto tempo!
Não percebi que ser feliz, amar e sonhar
Não é apenas um tempo
Mas um processo a se cultivar.

Um sentimento afetivo e efetivo
Da nossa presença no mundo.
Fiquei tão longe que não ouvia
O eco de minhas palavras.

É esta a " mea culpa".
Deixei que me mudasse...
Deixei que moldasse meu querer,
Fui sonhar o teu gosto e sonhos...
Olvidei minhas lutas , lutas, pelas quais,
Já houvera traçado caminhos
Noutro porvir...

(Publicado originalmente na Revista Cerrado Cultural nº 4/2009)