COMPROMETIDA

Por Vivaldo Terrres (Itajaí, SC|)

Que sonho louco!
Que loucura imensa...
Apesar de seres comprometida...
Um beijo teu!
Um só carinho...
Já modificava a minha vida.
*
Vem minha amada,
Sonho dos meus sonhos.
Que eu te espero o tempo que for!
Apesar de louco de desejo...
Quero demonstrar-te o meu amor.
*
Ó bela que ainda distante te vejo...
Como se estivesse junto a mim!
Eu contigo no meu leito...
Desfrutando tudo de bom...
Que pertence a ti.
*
Afagar os teus cabelos lindos!
Beijar-te a boca...
Sugar o mel por mim desejado!
Ficar estático...
Diante da tua face linda!
E dos teus belos olhos esverdeados.
Mesmo sabendo ser pecado

PALAVRAS

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Chega de viver de palavras, quero senti-lo
Quero sentir se és verdadeiro esse seu Amor
Não quero falas confusas nem tampouco
Qualquer súbita dor..
***
Me mostrarei ser aparente é intensa à ti
Não quero relacionamento sádico, egoísta
quero viver de flores sempre contigo…
Quero entregar-te todos meus sentimentos
Que no coração sempre guardei!
***
Preciso de lucidez não desventuras
Então escute-me!
Nunca serei Alma prolixa e nunca padecerei,
Jamais irei te deixar!
Porém, não transgrida esse Amor, então
Serei tudo que queres! se acaso for sonho,
No sonho viverei desse abstrato Amor!

Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio Claro, SP
Contato: bragalimafabiane@gmail.com


FOI TÃO FUGAZ

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)


De repente senti uma saudade
Daquele Amor, tão fugaz
Veio aquela vastidão de sentimentos
Saudade do seu Amor instigante
Nossos corpos se queimando
Naquele sede de se entregar
Seu corpo se envolvendo sob’ o meu
Sua mão percorrendo minha pele,
Seu olhar contemplando meu corpo,
Seu modo de Amar tão incógnito,
Seus fetiches mais ousados……..
Sinto falta desse Amor
Me faz sentir ousada é delirar….
Na ardência do seu corpo,
Me deslumbro sob’seu olhar
……………………………
Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio Claro S.P
Contato: bragalimafabiane@gmail.com


SILÊNCIO É ALMA!

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

No silêncio de nossos dias é noites,
Conseguimos ver às varias intensidades
Da nossa Alma, insistimos incoerente
dizendo estarmos certos é coerente
 Mas permanecendo no erro.
A Alma é o nosso
Profundo não erro há na Alma, nossos vários
Propósitos estão lá,
Os diversos erros, acertos.
Mas mora lá, no silêncio no vagar
Das ilusões utópicas na qual confundimos
Com verdades! O que nos resta e termos
Esse encontro com silêncio, nós acertamos
Com a Alma termos um acerto conosco.
É nesse encontro entre Alma e silêncio
Nós concretizarmos que jamais podemos
Perder nossa essência, o silêncio
 E Alma se conecta
Para às realizações reais e vitais
O sentido figurado da metamorfose humana!
……………………………
Fabiane Braga Lima é poetisa em Rio Claro S.P
Contato: bragalimafabiane@gmail.com

MINHA ALMA É DOCE

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

Meu corpo ferve
Meu coração e grande
Tenho desejos intensos
Meu corpo arde, queima
Sou cheia de fantasias
Sou cheia de requisitos
Tenho sangue quente
Desejos guardados
Sou feita de muito Amor
Cuidado! eu sei envolver,
te deixar louca…..
Não gosto de mistério
Quero Amor verdadeiro
Nada de Amor tresloucado
Comigo e tudo ou nada.
Sou furacão de sentimentos,
Meu sangue e quente.
Quero Amar com fervor
Me sentir desejada, amada.
Tenho a arte de Amar,
Tenho o fogo do querer.
-quieto!
Te levo à loucuras...

DESIGUALDADE SOCIAL NA VIDA MULHER


Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

            A mulher se capacitando é um cala boca na velha frase machista da sociedade brasileira, ‘’lugar da mulher é na cozinha’’. Não lugar da mulher é a onde ela se sentir melhor estar. Mulher tem sim que ser dona da sua vida, se estruturar é o primeiro passo.
            Em 2016, segundo as estatísticas 73,5% das mulheres frequentavam o ensino médio escolar. Mulheres brancas tinham freqüência de 23,5%. Enquanto isso mulheres negras tinham freqüência de 10,4%.
            No mercado de trabalho segundo dados do IBGE, em 2016 tivemos a percentual de 44% de mulheres trabalhando. Um número bastante significado, mas a desigualdade social permanece.
            Em 2019 as mulheres são a maioria no mercado de trabalho, mas com a taxa salarial super baixa. Enquanto em média elas ganhavam R$772,13 os homens ganham R$1.055,49. E para quebrar essa desigualdade social é que afirmo que nós mulheres temos sim que nos qualificar.
            O nosso papel na sociedade não começa na cozinha e termina na cama fazendo sexo. Nós podemos ir além dos nossos limites.

Clarisse da Costa é poetisa e articulista em Biguaçu SC
Contato: clarissedacosta81@gmail.com

CARTA Nº 9 - DE ATAHUALPA PARA KATTY


Por Urda Alice Klueger (Enseada de Brito, SC)
===================================
Querida Katty:
Amanhã vai fazer três anos que a gente se acordou a última vez na nossa casinha rosa e branca. A Urda foi comigo dar a voltinha de sempre e depois eu tomei café na minha janelinha de espiar para a mata. Então fomos para o carro, eu, Manuelita Saenz, uma mala e uma caixa com coisas de camping e descemos a rua. Paramos na casa da Terezinha para nos despedirmos e ela entrou em casa chorando e trouxe o vestido vermelho dela e deu de presente para a Urda. Então, partimos. Eu ia deitado nos meus travesseiros e Manuelita ia dentro de uma caixa de gatos, no chão do carro. Sabe como é, gatos são sempre mais chatos, e a Urda tinha que ficar conversando com ela o tempo todo, para que ela se sentisse segura. Às vezes dizia coisas assim: “Conforme Michael Foucauld, a análise do discurso...”, coisa que eu não entendia, mas que acho que Manuelita entendia, porque parava de miar.
                                    O trânsito estava bom, e em duas horas e meia chegamos a esta enseada e à casa aonde íamos morar. Era uma casa alugada, muito antiga, cheia de quartos e quartinhos, e acampamos lá dentro para Manuelita se acostumar com ela antes de a mudança chegar, e começou nossa nova vida! Havia um grande espaço de jardim e pomar e íamos passear na praia ao menos três vezes por dia. Eu era ainda um cachorrinho assustado, criado em apartamento, que não se afastava da Urda, mas era muito bom viver ali! Havia diversos outros cachorros e gatos nas casas ou nas ruas, e quatro horas depois que chegamos, a Urda já tinha uma nova amiga, a Cida. E outras e outras pessoas foram entrando na nossa vida, como a Dona Julita, a Dona Juracy, a Sheila e o Willy, o Gui e a Mara... nossa, como é diferente e bom morar aqui! Uns dias depois veio a Maria Antônia, e a Celina, e a Izabel, e a Raquel, e a Dona Nilza, e o Nei e a Dona Nega... até perco a conta de contar quantos amigos temos agora!
                                    Quem não se deu bem foi a Manuelita. Ela ficou muito assustada quando a mudança chegou e se enfiou no forro da velha casa. No princípio, descia à noite, quando ouvia o barulhinho da TV e a Dona Julita aparecia para uma visitinha. A gente estava há um mês naquela casa aonde fomos tão felizes quando apareceu um carro com uma mulher estranha e um cachorrinho. A maré estava muito alta, e a mulher jogou o cachorrinho muito longe, para que ele morresse afogado. As pessoas da comunidade que estavam ali brigaram com a mulher e ela se mandou – quando nós chegamos à praia, o cachorrinho estava justamente conseguindo sair da água a salvo. Katty, ele só tinha pelos, pulgas e fome. Quando a Urda o levou até nossa casa para ver se ele comia, ele avançou numas sobras de dois dias atrás, que eu abandonara na varanda e que estavam cheias de formigas, e comeu tudo, inclusive as formigas. Tinha tão pouca carne que teve que esperar quinze dias para poder tomar vacinas. Ele parecia uma raposinha preta, e acabou sendo o nosso Zorrilho.
                                    Um mês depois, o Chapéu, morador daqui, encontrou uma gatinha abandonada na Cachoeira e a trouxe e a deixou na entrada da nossa rua. Acabamos ficando com ela também, e como eu a AMAVA, mas a Urda não deixava eu brincar com ela porque poderia machucá-la com o meu peso, tão minúscula ela era. Nem desmamada estava. Era uma gatinha de carinha diferente, parecida com os gatos daqui, e ganhou o nome de Domitila Chungara. Quando ela cresceu um pouquinho, ficou muito amiga do Zorrilho, com quem dormia abraçadinha.
                                    Bem, a chegada de Domitila foi como veneno para Manuelita. Abandonou-nos de vez, só a víamos vez ou outra bem longe, no pomar ou na mata, e o resto do tempo ficava enfurnada no forro da casa. A Urda botava comida para ela num lugar onde havia uma prateleira bem alta, e não sei como ela sobreviveu. No total, ela ficou escondida por um ano e oito meses, e aí no meio também chegou Tereza Batista, uma cachorrona de 25 quilos, alaranjada e branca, que vivia na rua e andara mordendo algumas pessoas. Ela veio se esconder conosco na noite em que a comunidade iria matá-la. Com a Tereza Batista, completou-se a família de cinco bichos que vivem com a Urda, e então...
                                    Então ela comprou esta casinha aonde vivemos todos felizes agora! Manuelita relutou um bocado em ser nossa amiga de novo, mas acabou dando tudo certo. Somos uma grande família, com tantos amigos e mais alguns cachorros de rua, que são o TIjucano, a Loba e o Paçoca, mas quem cuida mais deles é o nosso vizinho Moisés, que dá até vermífugo e põe coleiras antipulgas neles. Mas comida, quase toda a rua dá. Eles são bem amigos da gente e gostam de correr à frente do carro da Urda a cada vez que ela sai - só que não vão muito longe, pois lá adiante tem outra família de cachorros que a gente chama de A Turma da Zona Norte e que fá-los voltar.
                                    E amanhã faz 3 anos que este tempo maravilhoso começou, e a Urda e a Maria Antônia, vão comemorar num restaurante que se chama Nossa Senhora Aparecida, onde, além da boa comida e da gentileza no atendimento, ganham pacotes de deliciosas sobras para nós!
                                    Meu, Katty, já está na hora de ir dormir. Muitas lambidas para você e não esqueça de nós. Vamos ficar esperando que você venha aqui um dia.
                                    Muito, muito carinho,

                                    Atahualpa Klueger

Sertão da Enseada de Brito, 03 de novembro de 2019.