ATORES

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)

 
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DOMESTICAR

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)

 
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FINAIS

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)


 
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CHALEIRA PRETA

Por Antonio Francisco de Paula (Brasília, DF)

Ao te ver chaleira preta
Carcomida , encascurrada
Esquecida ,abandonada
Junto aos trastes no galpão
Num instante brota a lembrança
Da minha feliz infância
No meu querido rincão

Em pensamento te avisto
Enganchada na corrente
Pendurada junto a trempe
Chiando sobre o tição
Sempre cheia de água quente
Servindo nossa gente
Na roda de chimarrão

Entreverada no borralho
Com caldeirão e panela
Entre espetos de costela
Batata doce e pinhão
Lambuzada de graxa
impregnada de fumaça
envernizada de carvão

No seu formato bojudo
De bico longo envergado
Cabo firme remanchado
Para aguentar o repuxo
A quentura dos braseiros
Nos fogões galponeiros
Dos ranchos simples sem luxo

Rude utensílio campeiro
De ferro bruto fundido
Forjado no tempo antigo
Nos idos da escravidão
Que trás entranhada na estampa
A hospitalidade do pampa
Do povo do meu rincão

Quantas vezes viajastes
Enfurnada em bruacas
Ouvindo tropel de patas
Duetando com as tralhas
Sacolejando nos cargueiros
Entre aboios de tropeiros
E rangidos de cangalhas

Nos pousos das comitivas
Nos ranchos abandonados
Nos fogões improvisados
Com pedaços de cupim
Sovando chapas e grelhas
Chamuscada de centelhas
De brasas de guamirim

Te recordo chaleira preta
Bordada de picumã
No aconchego das manhãs
Nas mãos do cozinheiro
Preparando com carinho
Um café forte quentinho
No velho estilo campeiro

Regando a cuia morena
De topete levantado
De mate amargo cevado
Num ato de comunhão
Nos dias frios de geada
Na tertúlia com a peonada
Ao pé do fogo de chão

Lendária chaleira preta
Relíquia de estimação
Rainha da tradição
Que o tempo não deu fim
Herança dos ancestrais
Dos avôs de meus pais
Que guardo dentro de mim

O JOVEM TRADICIONALISTA

Por Antonio Francisco de Paula (Brasília, DF)

O jovem tradicionalista de agora
É o espelho que reflete
Os estudantes de quarenta e sete
Paixão Cortes e companhia
Que tiveram a idéia um dia
Lá no pátio do Julinho
De trilhar o mesmo caminho
E beber água na cacimba
Do major João Cezimbra
Patrono do tradicionalismo

Na data comemorativa
Da semana farroupilha
Montaram piquete, acenderam a pira
Com a chama do fogo sagrado
Que se alastrou por todo o estado
Reaquecendo os corações
Despertando emoções
No seio de nossa gente
Fazendo germinar a semente
Do amor as tradições

Desde a bendita façanha
O tradicionalismo se enraizou
Se fortaleceu, se organizou
E saiu cravando bandeira
Por toda a pátria brasileira
E nos rincões estrangeiros
Mostrando pro mundo inteiro
O nosso patriotismo
O amor ao tradicionalismo
Do gaúcho brasileiro

Caberá sempre aos jovens
A grande responsabilidade
De manter com lealdade
E espírito de civismo
O nosso tradicionalismo
De rédea firme nas mãos
Conservando o mesmo padrão
Que sempre foi cultuado
Por nossos antepassados
Com amor no coração

Ajoujar o passado ao presente
E cavalgar no futuro
Defender com muito orgulho
Com civilidade e nobreza
A nossa maior riqueza
O legado dos ancestrais
Dos avôs de nossos pais
A legítima tradição
Que de geração em geração
Vai cumprindo seus ideais

Conservar os bons costumes
A educação e o respeito
O amor dentro do peito
No fundo do coração
O apego a tradição
A pureza e a simplicidade
A nata hospitalidade
Da gente do meu rincão
O carinho pelo chão
E a eterna liberdade

Juventude tradicionalista
Comungue na mesma cartilha
Dos valentes coronilhas
Que lutaram com afinco
Na criação do trinta e cinco
O CTG da capital
Que foi o marco inicial
Do nosso tradicionalismo
Que com bravura e heroísmo
Se tornou imortal

Gurizada do meu pago
Não deixe cair o estandarte
O folclore e a nossa arte
Os costumes a nós legados
Que continue enraizado
Por todo o nosso país
Fazendo a gente feliz
Pela fé e a união
Por que um povo sem tradição
É uma árvore sem raiz

TAPERA

Por Antonio Francisco de Paula (Brasília, DF)

Quem passar naquela estrada
Empoeirada de chão batido,
Barranco todo florido
Com a ramagem de São João,
Vai avistar lá na baixada
Uma tapera abandonada
Na beirada de um capão.

À direita de quem chega,
Entre as sombras das palmeiras,
A porteira de tronqueira
Ao relento escancarada,
Onde não se ouve mais
Tropel de cascos de baguais
Nem mugido de boiada.

Nem o grito da peonada,
Nem rangido de carreta,
Nem tilintar de rosetas
Das esporas da bugrada,
Nem badalo de cincerro,
Nem os berros dos bezerros
No silêncio das madrugadas.

Nem latido de cachorros,
Nem aboio de tropeiros,
Nem relinchos no potreiro
Da tropilha abagualada,
Nem estalo de açoiteira,
Nem estampido de cartucheira
Nas encostas da invernada.

Bem na frente do terreiro
Com o tabuado carunchado
A mangueira grande sem gado
Ainda resiste os janeiros,
Ao lado de uma cocheira
Rodeada de costaneira
Onde dormiam os terneiros.

Entre o valo e a paineira
Os coqueiros e o alambrado,
O chiqueiro esburacado
Divisando com o galpão,
Meio torto e destelhado
Com os esteios oitavados
Escorando o travessão.

Entre meio o arvoredo,
Lá no fundo do quintal,
O engenho velho de pau
Com as moendas desdentadas,
A fornalha de tijolo
E as peças do monjolo
Enterradas na palhada.

E debaixo da figueira,
Junto aos trastes amontoados,
A carroça sem rodado
Com o eixo corroído,
Amarrados entre os fueiros
A cangalha e o cargueiro
E um corote ressequido.

Lá no canto da cozinha,
Assim meio atravessado,
O fogão de lenha barreado
Chamuscado de tição,
Com a chapa enferrujada
Sobre a taipa desbeiçada
Envernizada de carvão.

Entulhados na despensa,
Entre os vãos da prateleira,
A cambona preta e a chaleira
E os avios do chimarrão,
E na mesa debruçado
O tacho de fazer melado,
A gamela e o pilão.

A varanda e a sala
Com o assoalho desgastado,
O candeeiro enfumaçado
Em riba da cantoneira,
E, no quarto, estendido
Um couro de boi curtido
Sobre um catre de madeira.

Patrício, como é triste
Olhar para aquela tapera
Com as paredes amarelas
Carcomidas de cupim,
Janelas e portas fechadas
Com a soleira e a calçada
Encobertas de capim.

Num adeus de despedida
Vou repontando lembranças
Da minha querida infância,
A morada onde nasci,
Chego até ouvir o lamento,
Resmungo do próprio vento,
Que eu nunca esqueça de ti.

FATOS

Por Pedro Du Bois (Itapema, SC)

 
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