Sertões Distantes


Por Cedric de Oliveira Felipe (Jacareí, SP)


Sertões distantes

Pessoas sem sonhos

Sem esperanças nos olhos

Sem brilho

Sem vida

Triste sina desses bravos guerreiros

Que no berço da miséria

O ódio, a raiva, a mágoa

Prolifera;

Pessoas humildes na lida

Na roca a tarde inteira

Vidas brasileiras,

Que a terra semeia para colher os frutos

E também para ficar de luto

Quando o corpo ela recebe

Quando a matéria sobre o féretro desce

Pra morada eterna;

Amém.



(Coliveiracedric998@gmail.com)

Naquele Outono Cinzento

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

Há momentos da vida que nos
Marcam e canções que
Trazem a tona momentos que
Marcaram o passado;
Eu ouço canções
Que para você são bucólicas
E lembro-me de cada detalhe
Dos meus momentos de desejos.
Lembro que te quis
Naquele outono cinzento
Quando as folhas caíam
Em direções opostas e eu
Querendo o calor de seu abraço;
Que te desenhei na minha vida
E te abracei como
O meu eterno amor;
Meu corpo hoje te deseja
E nem sequer posso ouvir
Seus passos subindo a minha escada;
A minha pele se arrepia;
Sinto que me aproximo de ti
Em cada nanossegundos
Dos meus pensamentos;
Sou a sua sacrossanta musa,
No meu casebre de madeira
A espera do toque dos seus beijos
E o perfume do seu corpo
A me embriagar.


Da série amor em vermelho: Qualquer coisa que faça quase sentido

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Olho para o mar
Na minha frente
E desejo perdidamente
Que qualquer coisa
Nesta vida 
 Faça quase sentido
***
Olho para o mar
E desejo desesperadamente
Que eu possa
Tirar o meu traje de civilizada
De usar somente as roupas
Que Deus me deu
E caminhar celestialmente
Pelas hialinas areias
Da praia 
***
Olho para o mar revolto
Sinto o álgido vento
Revoltar-me o cabelo
E desejar
Que qualquer coisa faça
Realmente sentido
Na minha vida
***
Olho para imensidão azul
Para o céu sem nuvens 
Na esperança vil
Que qualquer coisa faça
Quase sentido
Nesta vida apoplética 

Da série amor em vermelho: Candura( elogio a liberdade)

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Naqueles turbulentos dias
De abissais confusões inexatas
Ela decidiu quebras
Os milenares grilhões
***
Naquele entardecer sem fim
Tempo de dores infindas
Ela se rebelou por completo
***
 Naquele anoitecer sem fim
A manopla deixou de sufocá-la
Aquela negra alma sofrega
Mergulhada em infindáveis dores
***
 Naquela alvorada
Ela simplesmente sorriu para a vida


Da série amor em vermelho: Gaia ( mais profunda que o mar)

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Queria fazer amor perdidamente
Tendo o atros-mortos
Como testemunhas
E com as bençãos de Gaia
***
 Não! Não queria viver enclausurada
Em um níveo mundo
De sonhos vagos
Presa ad aeternum
Em contemplações quiméricas furtivas
***
Queria arder em chamas
Entregar-se por inteiro
Na mais profundas das fossas abissais


Da série amor em vermelho: A cidade das chuvas

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Na cidade das chuvas
Ela decidiu ganhar as ruas
Em um ledo dia de sol
***
Aquela jubiloso dia de sol
Ela toda radiante
Vestiu o que de melhor tinha
Seu sorriso perolado
Em um diafono vestido floral
***
Na cidade das chuvas
Justamente naquele dia de sol
Ela ganhou as ruas dissolutas
E foi se reunir
Com o que melhor existe
Na vastidão cósmica sem fim
Foi se encontrar consigo mesma

Da série amor em vermelho: O equilíbrio hidrostático

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

Aquele sentimento opaco
De quem vai enfrentar
Uma trágica partida
De quem se ama
Perdidamente
***
Aquele dissabor atroz
De quem vê partir
Para nunca mais voltar
De quem se gosta
Infinitamente
***
O vazio de uma vida
Despropositada
Que se ilumina
Mais que de repente
Quando se vê
A divinal negra musa
Brilhar
Radiante na ribalta
***
Aquele sentimento vago
Quanto o abstrato bardo de ébano
Pega a pena, o mata-borrão
E as hialinas folhas
Em branco
E vai compor um novo verso
Pós-modernista
Para a negra ninfa