O RIO GUAIBA PEDE "S O C O R R O"!

 


Por Manoel Ianzer, o poeta da alma (São Paulo, SP)

 

(para que os jovens de hoje possam viver tranquilos!)    

  



 

PREPARAI-VOS, RIO-GRANDENSES!

 

Meu recado aos gaúchos e gaúchas

de Porto Alegre e demais cidades

cortadas pelos rios que vêm do Norte

para o Guaíba:

 

A próxima chuva muito forte

Que ao chegar vai alagar novamente a

Capital do Rio Grande do sul.

Por quê?

O leito do rio está assoreado.

Décadas de descaso.

Décadas sem fazer nada.

Simplesmente, nada.

E vão continuar da mesma forma.

 

A verdade é dura: os governos

municipal e estadual estão de

mãos amarradas pelo SISTEMA.

Travados pela burocracia, pela

omissão, pela conveniência.

 

Então, a solução tem que vir do povo.

 

O povo precisa se unir, criar e

buscar associações, grupos,

projetos e empresas para o

suporte material e financeiro –

todos independentes – para

estarem preparados para ações

de emergência. Não para salvar

pessoas das enchentes quando

a água já bate no peito, mas,

para evitar que a cidade volte ao

caos, com prejuízos humanos

irreparáveis como os de 2024.

 

Agora não é o sangue

farroupilha que corre nas veias.

É o sangue de Garibaldi, dos

italianos, dos alemães, dos

espanhóis, do sangue raiz:

portugueses, negros e índios.

 

É a garra de Anita Garibaldi,

espalhada pelos milhares de

prendas das Missões e do

Pampa!

 

Preparai-vos, rio-grandenses!

 

NÃO A GUERRA,

e sim ao direito de lutar em PAZ,

mas exigindo os direitos e

ajudado a criar barreiras contra

as enchentes!

 

Que cada bairro tenha seu grupo.

Que cada cidade tenha seu plano.

Que cada gaúcho seja trincheira

contra a próxima tragédia anunciada.

 

Pelo Guaíba livre.

Por Porto

Alegre de pé.

Pelo Rio Grande do Sul

que não se entrega.

Com fé, trabalho e união!

 

 

 


#Soscamaqua | Bagé além da fronteira | Vibrar com Parkinson!

EDITORIAL

Por Paccelli José Maracci Zahler - Editor (Brasília, DF)

Nesta edição, a Revista Cerrado Cultural reafirma seu compromisso com aquilo que nos move desde o início: dar espaço ao que pulsa, ao que nasce da sensibilidade, da inquietação e da coragem de quem escreve, pinta, canta, fotografa, traduz e reinventa o mundo. Somos, antes de tudo, um território de encontros — e maio nos lembra que os encontros verdadeiros florescem quando há escuta, generosidade e abertura.

Vivemos tempos em que a cultura precisa ser defendida com firmeza. Não apenas como patrimônio, mas como direito. A arte não é ornamento: é ferramenta de consciência, de memória e de futuro. Por isso, cada poema, cada conto, cada ensaio, cada obra visual que compõe esta edição é também um gesto de resistência. Um lembrete de que a criação humana continua sendo uma das formas mais potentes de liberdade.

Que esta edição de maio inspire você a desacelerar, a olhar de novo, a sentir o que talvez tenha ficado adormecido. Que desperte perguntas, provoque reflexões e, quem sabe, acenda aquela centelha que só a arte é capaz de reacender.

Seguimos juntos — leitores, autores, colaboradores e sonhadores — cultivando este Cerrado simbólico onde a cultura floresce apesar de tudo, e justamente por isso.


COMO É GOSTOSO SER ENGANADO

Por Roberto Minadeo (Brasília, DF)

            Fake News são as mais graves ações do momento. Mas, há muito fingimento por trás disso.

Todos os erros e problemas do mundo são creditados a elas e ampliados devido à onipresença da internet. Pérfida imprensa, que não mais cumpre seu papel de informar à incauta sociedade, que tanto nela confia! As Fake News são democráticas, atingem dos incultos aos catedráticos. A possibilidade de qualquer pessoa ser enganada é a mais abrangente, ilimitada e incondicional possível.

            Assisti a um filme horrível? Culpa do jornal que disse tratar-se de uma nova linguagem cinematográfica! Adquiri um carro que trouxe problemas de motor? Culpa das Fake News que disseram tratar-se de um design inovador!

            O filme informado pode ser uma nova linguagem – porém, isso não é certeza de agradar a todos. A compra de um carro é tão importante que merece mais do que ler uma nota em um jornal, que foi verídico sobre o inovador design do modelo.

            Um cidadão diz que a mortadela é feita de carne de cavalo. Questionado em sua ignorância, consultou a internet, para se aperceber de que vivia no erro, devido a seu preconceito contra o maravilhoso e popular embutido tão querido no país.

Há quem sustente conversas de botequim sobre economia, história, política, sociologia ou arte. São assuntos sobre os quais muitos não possui qualquer formação. É difícil admitir isso, sendo preferível culpar as Fake News.

            Será mesmo que todos os órgãos da imprensa apenas vivem para desinformar? Qual a motivação de instituições centenárias estarem desviadas dos propósitos que nortearam seus bons serviços? Será razoável supor que após a internet os jornais só propalam mentiras? Será que os blogs surgidos aos milhares são melhores do que a imprensa?

            Um argumento elementar desmonta os furibundos ataques à mídia: se é ela quem nos informa, como distinguir as matérias verdadeiras das falsas?

A realidade é outra. Devido à internet, milhares de jornais fecharam as portas. Mas isso não significa que os sobreviventes ficaram fracos, se fortaleceram, pois graças à mesma internet, atingem milhões de assinantes mundo afora – algo impensável décadas atrás, quando eram apenas baseados na versão impressa. Assim, precisam manter ingentes equipes para zelarem por seus nomes, pois competem com outros veículos informativos de grande porte. Por incrível que pareça, a concorrência aumentou, pois ocorre entre gigantes.

As Fake News são armadilhas nas quais gostamos de cair, quais macios colchões, bons para dormir e depois atribuir a culpa ao cansaço. Há enganos gostosos que mexem e cutucam muitos – como a mortadela.

            O que são os golpes que tantos incautos sofrem? Após alguém ser enganado é fácil dizer que ladrões inescrupulosos se apropriaram do fruto do trabalho. Porém, qual o motivo de alguém acreditar em esquemas de pirâmide, senão o fato de se buscar a eterna promessa do dinheiro fácil? Não teria faltado o primário raciocínio: se alguém ganha, é porque muitos perdem? E se tantos perdem, qual o motivo para que justamente eu venha a ganhar?

            Certa leitora de cartas foi denunciada pela imprensa. Pessoas gastavam fortunas para conhecerem o seu futuro e se arrependiam. A acusada fechou as portas e foi a um endereço mais nobre, para atender uma classe superior. A imprensa voltou a denunciar, mas há quem acredite em promessas de trazer de volta a pessoa amada em três dias. Culpa da imprensa? Claro que não, fez seu papel, porém em vão. Aliás, apesar de sua boa vontade, a mídia fez o papel contrário ao de alertar: alardeou gratuitamente os serviços daquela cartomante.

            Por trás das Fake News pode haver alguém querendo acreditar em algo por interesse. A verdade possui aspectos contrários aos interesses pessoais, por isso nem sempre é levada a sério – abrindo um amplo espaço à doce mentira.

            Há mentirosos e sempre existirão. Todavia, ao se compreender o aspecto “como é gostoso ser enganado” que se esconde por trás de tantas Fake News, menos pessoas reclamarão após terem sido escalpeladas por ofertas inescrupulosas. E, mais importante, surgirá espaço a uma sadia busca pelos fatos – tarefa árdua, que jamais se realiza de forma rápida, tranquila e descompromissada.

Sobre o autor:

Roberto Minadeo vive em Brasília; publicou obras em Marketing e Estratégia. Lançou as antologias oníricas “Sonhos Fulgurantes” e “A Rainha da Lua e Outros Contos”; o romance “Na Casa da Avó”; o drama “Duas Irmãs”; e “O Talismã Oculto” – baseado na mitologia chinesa. Participa de antologias de diversas editoras. É membro do Instituto Histórico e Geográfico do DF.

Teve três contos premiados:

·    “Libertação da Perfídia” (Secr. Cultura/200 Anos da Independência).

·    “O Clã” (VIII Concurso Cidade do Penedo de Poesia e Conto).

·     “A Maldição da Mansão” (Blog A Última Página).

Também recebeu prêmio pela crônica “A Irritação de Macunaíma”, no Concurso de Itapema/SC.

Email: rminadeo@gmail.com

Rede social: https://www.youtube.com/@robertominadeo

NO LOCAL DE TRABALHO

Por Humberto Pinho da Silva (Porto, Portugal)

  

Na empresa onde trabalhei quase quarenta anos, havia centenas de trabalhadores. Cada qual com sua função:

Uns, eram ateus; outros – em pequeno número: crentes; outros ainda: católicos de estatística.

Entre os crentes, havia um, que frequentara o seminário, mas foi constrangido a sair, porque sofria deficiência física: corcovava. Chamava-se Anselmo. Dirigente que tratava todos, com paciência e extrema bondade.

Nunca se envergonhou de se declarar cristão. Quem tivesse problemas de trabalho ou necessidade de apoio e conselho espiritual, dirigia-se a ele.

Era catequista, e todas as semanas deslocava-se à terra natal para cumprir a obrigação. Certa vez confessou-me: " Se pudesse, e ainda me quisessem, gostava de ser padre"...

Outro, era evangelista ferrenho, e gostava de conversar comigo. Contou-me - certa ocasião teve forte vontade e dizer, perante enfermo grave: " Em nome de Jesus, levanta-te!".

Nunca o fez, embora estivesse convicto que seria atendido, mas se tivesse enganado? Cairia no ridículo, e seria alcunhado de lunático ou coisa pior.

Ainda havia outro, que era católico praticante – não gosto do termo, porque quem não cumpre o que Jesus ensinou, não é cristão – o católico, cumpre ou tenta cumprir os Mandamentos.

Tinha aspeto provinciano, caipira. Nos intervalos das refeições, assistia à missa. Se não havia, rezava e orava no templo.

Agnósticos e ateus eram poucos, – Havia um que pretendia batizar o filho. Não que acreditasse; mas, a mulher queria.

Foi falar ao Padre Faria. Este perguntou-lhe?

- " É casado na Igreja? Respondeu-lhe:

-" Não! Nem acredito. Minha mulher quer, porque diz que é bom..."

-" Então leve o menino para casa, quando tiver idade, traga-o para a catequese."

" Mas eu pago! Respondeu-lhe, irado. "                                                

                                                     ***

Acabo de escutar, num canal de TV, interessante entrevista a figura pública, bastante conhecida.

Ao perguntar-lhe se concordava com o que o Papa dissera sobre determinado assunto, declarou:

- "Por ser católico não me impede de dizer: que discordo muitas vezes, quando Ele fala de temas profanos, sem se basear na Bíblia ou dogma da Igreja". Para ser católico, basta cumprir o que Jesus ensinou; mas, infelizmente., nem sempre os crentes conhecem o Evangelho…

Em meados deste século, ouvi famoso ator declarar na televisão: "Globo": - " Tenho muita fé na Senhora Aparecida, mas para mim, a Santa Forte, é a Santa de Fátima!"...Como há tanta ignorância em matéria religiosa, mesmo em pessoas inteligentes e cultas!?... É inacreditável!...


CON LOS OJOS DE UN NIÑO

Por Irma Kurti (Albânia)

 

(Tradução de Javier Prieto, enviado por Germain Droogenbroodt)

 

Quiero ver el mundo con los ojos de un niño,

almendrados, claros, limpios e inocentes:

un prado donde crecen personas, flores y sonrisas,

donde no hay hambre, pobreza ni maldad.

 

Quiero ver el mundo con los ojos de un niño,

sentirme acariciada por el hechizo de los sueños,

alcanzar las estrellas con solo una escalera

y luego poder tocar el horizonte con una mano.

 

No, no quiero ver el mundo con mis ojos,

oh, han visto demasiado, se sienten sumergidos

en lágrimas que nunca se secan y, tras

una permanente bruma, distinguen el universo.

 

 

LA SEMILLA DE LA POESÍA

Por Yang Geum-Hee  (Coréia do Sul)

(Traducción de Germain Droogenbroodt e Rafael Carcelén)

 

Un poema es una pequeña semilla,

una vida que respira mientras espera la luz.

Donde descansan los ojos y la mente,

brota con alegría, con amor, en el tiempo y el espacio.

 

¿Dónde se plantará? ¿Dónde crecerá?

En el momento que elijas, sus raíces se extenderán.

 

Al igual que un cactus florece incluso en el desierto,

un poema vive en cualquier lugar.

Flota como una pluma ligera

y fluye con una suave brisa.

Incluso en un diminuto grano de arena,

puede llegar a echar raíces firmes.

 

Cierra los ojos e intenta respirar,

el susurro de la poesía se filtrará en ti.

En el jardín de tu alma,

lo verás florecer con esplendor.

 

El poder está en ti, la elección es clara;

si simplemente plantas la semilla, el poema florecerá.

 

 

 


 

 


A ARTE DIGITAL DE CLARISSE DA COSTA (BIGUAÇU, SC)