Por Vânia Moreira Diniz
Estou de luto. Estou decepcionada realmente por acontecimentos que interceptam os passos de nossa literatura. Isso aconteceu essa semana.
Montei bibliotecas em diversos lugares da capital da República para que as pessoas pudessem ter a oportunidade de ler e até trocar ou levar para casa. Seria mais uma oportunidade de intercâmbio cultural e principalmente para aqueles que não têm oportunidade de ter contato com os livros.
Uma delas era numa Farmácia de Brasília cujo dono eu conheço há bastante tempo e que depois de uma larga experiência resolveu abrir sua própria farmácia. Esse farmacêutico amigo ficou entusiasmado com a possibilidade de oferecer aos seus clientes os livros que eu selecionara de minha própria casa. Era um ponto de curiosidade e apoio para todos que freqüentavam a farmácia e enquanto esperavam ser atendidos.
Muitos iam lá apenas para trocar ou devolver os livros que haviam levado. Isso aconteceu há quase três anos e ficamos encantados com a difusão da literatura e artes num ponto em que as pessoas geralmente chegam por vezes deprimidas com os próprios males.
Essa semana recebi um recado de Walmir, o farmacêutico responsável que recebera uma visita da Vigilância Sanitária e que o ameaçara de multar a farmácia pela presença dos livros. Ele argumentou que os mesmos estavam ali apenas para serem lidos e já faziam parte do interesse dos clientes.
O que terá o fiscal identificado de tão mal nos livros ali depositados? Seria ácaro? Seria poeira?Não acredito nesse argumento, pois como sabemos todos os medicamentos são hermeticamente fechados às vezes até com dificuldade de abri-los e invariavelmente contém a bula de papel.
Este não seria um indutor para a produção de ácaro, assim como o seu invólucro e a sua caixa de papel?.Tenho convicção de que faltou ao agente público sensibilidade para a sua decisão.É importante ressaltar que a este fiscal cabe verificar as irregularidades e por elas propor correções.
Não creio, no entanto que o livro fizesse parte delas.Tive que agir no prazo de cinco dias concedido pela Vigilância Sanitária e fechei tristemente o Espaço Cultural posicionada num cantinho da farmácia, recolhendo os livros que tão cuidadosamente escolhera para o deleite dos clientes.
A insensatez fechou uma porta extinguindo uma mini biblioteca, mas a nobreza de atitudes do grupo Gazal recebeu os livros de forma imediata para a colocação em bibliotecas por ele mantidas.Respeitei a ordem da Vigilância Sanitária cujo trabalho sempre admirei lamentando esse episódio e principalmente a atitude radical de suas decisões, retirando friamente uma biblioteca já tão necessária ali naquele ambiente.
Há certos momentos na vida que precisamos usar o discernimento e a humanidade mesmo em regras absolutamente precisas mesmo porque tenho certeza que os livros ajudavam as pessoas e já era um ponto de encontro também com a s letras.
Estou de luto, mas realmente feliz porque ainda existem pessoas que compreendem o valor da leitura. Agradeço ao Farmacêutico Walmir seu carinho para o nosso espaço cultural que se extingue ali tão melancolicamente.
Revista literária online, uma viagem cultural online pela literatura, poesia, cinema e artes. Editada, desde 2011, pelo Jornalista e escritor Paccelli José Maracci Zahler (RP/MTE nº 14402/DF; FENAJ; FIJ nº BR20943). Poemas, crônicas, contos, ensaios, e o melhor da cultura nacional e internacional. Todas as opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores. Aceitam-se colaborações. Contato: cerrado.cultural@gmail.com
SEM LIVROS NA PRATELEIRA
COMÉRCIO
Sem livros na prateleira
Drogaria que mantinha livros para a clientela usar, sem custo, é obrigada a retirar o material. Medida é questionada por escritora que trabalha com incentivo à leitura
Por Leilane Menezes
Comércio
Era pouco antes do meio-dia, na terça-feira da semana passada, quando uma fiscal da Vigilância Sanitária do Distrito Federal entrou em uma das farmácias da 302 Sul. Entre duas prateleiras de remédios, ela avistou quatro estantes cheias de livros. Depois de investigar o motivo de os exemplares estarem ali, a mulher descobriu que se tratava de uma biblioteca comunitária.
A fiscal, então, preencheu uma notificação, destinada ao dono da drogaria, estabelecendo o prazo de cinco dias para a retirada dos livros daquele ambiente. Explicou que a presença das publicações vai contra a lei federal que regulamenta a atividade das drogarias. E não abriu possibilidade de negociação (veja Nota da Vigilância Sanitária). A notícia surpreendeu a idealizadora do projeto de incentivo à leitura, a escritora Vânia Diniz, 68 anos, moradora da Asa Sul. O pequeno espaço literário tinha mais de 100 unidades expostas.
Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queiroz e muitos outros escritores tiveram suas obras incluídas na coleção. Não só a literatura tinha vez: apostilas de concursos públicos também podiam ser vistas ali. Toda essa riqueza era oferecida aos clientes da farmácia, sem nenhum custo. Quem quisesse levar os livros para casa, tinha autorização. Várias pessoas também doavam novos títulos, como forma de incentivar a corrente de leitura. Com receio de ser multado, o dono do comércio, que pediu para não ser identificado, seguiu a instrução da fiscal, embora discordasse dos argumentos para retirar os livros.
A farmácia da 302 Sul, portanto, continua com sua destinação original, a de oferecer produtos que ajudem na cura de diferentes tipos de enfermidades. Palavras e pensamentos impressos — que, muitas vezes, podem trazer conforto espiritual ou emocional — não estão mais disponíveis ali. “As pessoas faziam um intercâmbio cultural enorme. Muita gente chega a uma farmácia precisando de apoio emocional. Os livros diminuíam a frieza do ambiente”, afirmou Vânia.
A escritora não concorda com as explicações da vigilância. “Tem biblioteca em açougue, em um monte de lugar. Que mal os livros podem fazer? Estragar os medicamentos, que são hermeticamente fechados e difíceis até de abrir? Seria ácaro? Seria poeira? Não aceito esses argumentos. Tenho certeza que faltou sensibilidade ao agente público. Estou de luto com essa atitude, realmente decepcionada”, protestou.
Paixão
Desde criança, a escritora alimenta o amor pelo ofício. “Meu avô, Raimundo, era escritor. Na casa dele, o Rio de Janeiro, eu conheci gente como Rachel de Queiroz. Fiquei fascinada por esse mundo e me dedico a ele desde então”, contou a carioca, que vive em Brasília desde 1969. Quando retiraram os livros da farmácia, Vânia diz ter tido a sensação de ver um filho sendo machucado. “Alguns dos exemplares ali levavam meu nome. O projeto era uma ideia minha. Fiquei muito abalada com essa rejeição.”
A biblioteca da farmácia não era a única mantida em um local inusitado e montada por Vânia, com ajuda de seu marido, o escritor de livros técnicos Paulo Diniz, 75 anos. Ela também inaugurou pontos de leitura no salão Marilene Cabeleireiros, na 414 Sul; na oficina mecânica Escapamento Melo, na 702 Norte; e na escola É DAC, na QL 6/8 do Lago Sul. Neste último local, há mais de 450 exemplares.
“Tenho a impressão de que as pessoas falam muito em leitura, mas leem muito pouco. O povo não está lendo. Isso me incomoda muito, porque a leitura é uma das maneiras mais eficazes de tirar alguém da exclusão do conhecimento”, avalia a escritora. Vânia lembra que, quando os livros chegam perto das pessoas, elas podem se interessar pelo universo da leitura. Assim ocorreu com a cabeleireira Tatiana Santos, 25 anos, moradora de Valparaíso. Quando viu os exemplares distribuídos por Vânia no local de trabalho, ela teve a curiosidade despertada e decidiu folhear um livro, como há muito tempo não fazia.
“Eu sempre gostei de ler, mas não tinha muita oportunidade para estar perto do livro. Agora, tenho esse costume. Levo para ler no ônibus. Gosto de poemas”, relatou Tatiana. Assim como ela, outras oito colegas do salão e as clientes também criaram gosto pela literatura. Mesmo diante da decepção, Vânia não desiste de espalhar conhecimento. No que depender dela, os livros estarão por todo lugar.
Pioneira dos imortais
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 1910. Escreveu romances, entre eles Memorial de Maria Moura, que virou minissérie exibida pela TV Globo em 1994, protagonizado por Glória Pires; crônicas e peças teatrais. Em 1977, Rachel tornou-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 2003, enquanto dormia na rede, em casa, no Rio de Janeiro.
Perfil
Vânia Diniz
Tem 15 livros publicados. É presidente da Academia de Letras do Brasil, pertence ao Sindicato dos Escritores do DF, à União Brasileira de Escritores e à Rede de Escritoras Brasileiras. Mantém o site www.vaniadiniz.pro.br, no qual divulga as próprias obras e as de novos autores.
O outro lado
Nota da Vigilância Sanitária
“Realmente, a fiscalização da Vigilância Sanitária esteve no local, solicitando a retirada dos livros. Isso ocorreu pelo fato de o funcionamento de uma exposição de livros dentro de uma farmácia ser proibido por lei. De acordo com a norma RDC 44/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Lei Federal nº 5991 de 1973, drogarias só podem expor e comercializar remédios. Qualquer outra mercadoria vai contra a lei e deve ser retirada”.
Fonte:Jornal CORREIO BRAZILIENSE, Caderno CIDADES, p. 66, edição de 24.fev.2011.
Sem livros na prateleira
Drogaria que mantinha livros para a clientela usar, sem custo, é obrigada a retirar o material. Medida é questionada por escritora que trabalha com incentivo à leitura
Por Leilane Menezes
Comércio
Era pouco antes do meio-dia, na terça-feira da semana passada, quando uma fiscal da Vigilância Sanitária do Distrito Federal entrou em uma das farmácias da 302 Sul. Entre duas prateleiras de remédios, ela avistou quatro estantes cheias de livros. Depois de investigar o motivo de os exemplares estarem ali, a mulher descobriu que se tratava de uma biblioteca comunitária.
A fiscal, então, preencheu uma notificação, destinada ao dono da drogaria, estabelecendo o prazo de cinco dias para a retirada dos livros daquele ambiente. Explicou que a presença das publicações vai contra a lei federal que regulamenta a atividade das drogarias. E não abriu possibilidade de negociação (veja Nota da Vigilância Sanitária). A notícia surpreendeu a idealizadora do projeto de incentivo à leitura, a escritora Vânia Diniz, 68 anos, moradora da Asa Sul. O pequeno espaço literário tinha mais de 100 unidades expostas.
Machado de Assis, José de Alencar, Rachel de Queiroz e muitos outros escritores tiveram suas obras incluídas na coleção. Não só a literatura tinha vez: apostilas de concursos públicos também podiam ser vistas ali. Toda essa riqueza era oferecida aos clientes da farmácia, sem nenhum custo. Quem quisesse levar os livros para casa, tinha autorização. Várias pessoas também doavam novos títulos, como forma de incentivar a corrente de leitura. Com receio de ser multado, o dono do comércio, que pediu para não ser identificado, seguiu a instrução da fiscal, embora discordasse dos argumentos para retirar os livros.
A farmácia da 302 Sul, portanto, continua com sua destinação original, a de oferecer produtos que ajudem na cura de diferentes tipos de enfermidades. Palavras e pensamentos impressos — que, muitas vezes, podem trazer conforto espiritual ou emocional — não estão mais disponíveis ali. “As pessoas faziam um intercâmbio cultural enorme. Muita gente chega a uma farmácia precisando de apoio emocional. Os livros diminuíam a frieza do ambiente”, afirmou Vânia.
A escritora não concorda com as explicações da vigilância. “Tem biblioteca em açougue, em um monte de lugar. Que mal os livros podem fazer? Estragar os medicamentos, que são hermeticamente fechados e difíceis até de abrir? Seria ácaro? Seria poeira? Não aceito esses argumentos. Tenho certeza que faltou sensibilidade ao agente público. Estou de luto com essa atitude, realmente decepcionada”, protestou.
Paixão
Desde criança, a escritora alimenta o amor pelo ofício. “Meu avô, Raimundo, era escritor. Na casa dele, o Rio de Janeiro, eu conheci gente como Rachel de Queiroz. Fiquei fascinada por esse mundo e me dedico a ele desde então”, contou a carioca, que vive em Brasília desde 1969. Quando retiraram os livros da farmácia, Vânia diz ter tido a sensação de ver um filho sendo machucado. “Alguns dos exemplares ali levavam meu nome. O projeto era uma ideia minha. Fiquei muito abalada com essa rejeição.”
A biblioteca da farmácia não era a única mantida em um local inusitado e montada por Vânia, com ajuda de seu marido, o escritor de livros técnicos Paulo Diniz, 75 anos. Ela também inaugurou pontos de leitura no salão Marilene Cabeleireiros, na 414 Sul; na oficina mecânica Escapamento Melo, na 702 Norte; e na escola É DAC, na QL 6/8 do Lago Sul. Neste último local, há mais de 450 exemplares.
“Tenho a impressão de que as pessoas falam muito em leitura, mas leem muito pouco. O povo não está lendo. Isso me incomoda muito, porque a leitura é uma das maneiras mais eficazes de tirar alguém da exclusão do conhecimento”, avalia a escritora. Vânia lembra que, quando os livros chegam perto das pessoas, elas podem se interessar pelo universo da leitura. Assim ocorreu com a cabeleireira Tatiana Santos, 25 anos, moradora de Valparaíso. Quando viu os exemplares distribuídos por Vânia no local de trabalho, ela teve a curiosidade despertada e decidiu folhear um livro, como há muito tempo não fazia.
“Eu sempre gostei de ler, mas não tinha muita oportunidade para estar perto do livro. Agora, tenho esse costume. Levo para ler no ônibus. Gosto de poemas”, relatou Tatiana. Assim como ela, outras oito colegas do salão e as clientes também criaram gosto pela literatura. Mesmo diante da decepção, Vânia não desiste de espalhar conhecimento. No que depender dela, os livros estarão por todo lugar.
Pioneira dos imortais
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 1910. Escreveu romances, entre eles Memorial de Maria Moura, que virou minissérie exibida pela TV Globo em 1994, protagonizado por Glória Pires; crônicas e peças teatrais. Em 1977, Rachel tornou-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 2003, enquanto dormia na rede, em casa, no Rio de Janeiro.
Perfil
Vânia Diniz
Tem 15 livros publicados. É presidente da Academia de Letras do Brasil, pertence ao Sindicato dos Escritores do DF, à União Brasileira de Escritores e à Rede de Escritoras Brasileiras. Mantém o site www.vaniadiniz.pro.br, no qual divulga as próprias obras e as de novos autores.
O outro lado
Nota da Vigilância Sanitária
“Realmente, a fiscalização da Vigilância Sanitária esteve no local, solicitando a retirada dos livros. Isso ocorreu pelo fato de o funcionamento de uma exposição de livros dentro de uma farmácia ser proibido por lei. De acordo com a norma RDC 44/2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Lei Federal nº 5991 de 1973, drogarias só podem expor e comercializar remédios. Qualquer outra mercadoria vai contra a lei e deve ser retirada”.
Fonte:Jornal CORREIO BRAZILIENSE, Caderno CIDADES, p. 66, edição de 24.fev.2011.
HOMENAGEM AO PROF. ALDO PAVIANI
Aldo Paviani Homenagem from Andrew Nevins on Vimeo.
Fonte: www.vimeo.com/7015348
DIREITOS IGUAIS PARA PESSOAS DIFERENCIADAS
Por Vânia Moreira Diniz (Brasília, DF)
(Em Homenagem ao dia Internacional da Mulher que está próximo)
Nasci como já disse algumas vezes em meio a homens como meu pai e avô, defensores e admiradores da mulher em sua essência mais profunda. Ouvia meu avô dizer que se o mundo fosse um matriarcado, ou seja, liderado por mulheres, seria outro, mais gentil, humano e verdadeiro. Evoluído e com um desenvolvimento mais acelerado. Era isso que eu entendia. A figura da mulher enaltecida, amada e admirada profundamente com sua profunda característica de sedução o que a tornava quase uma deusa da mitologia grega.
Acresce que não era um mito que eles apreciavam, mas a figura feminina em sua essência mais profunda, lutadora e persistente, misto de fascínio e coragem.
Quando mais tarde pude notar o preconceito que se formava em torno, o mundo discriminativo e machista compreendi a luta empreendida há já muitos anos, mas que não chegara ao fim determinado como, na verdade, ainda hoje. Queremos e precisamos de mais.
Muitas conquistas numa luta insana foram adquiridas, conseguimos até mesmo certa supremacia, a realização de uma vida lutadora e independente, a obrigatória forma com que os homens passaram a nos respeitar conscientemente. Mas isso ainda não nos bastava. Não era supremacia que queríamos verdadeiramente porque isso implicaria em reserva de atributos que não deveriam ser abandonados. Mas a igualdade diferenciada. Uma igualdade como seres humanos divididos em duas categorias ou gêneros, mas com nossos contrastes básicos de delicadeza, feminilidade, doçura, sedução, fascínio e oportunidades profissionais e direitos inatingíveis.
A grande luta é e será sempre para que se compreenda que não podem existir dois sexos completamente semelhantes porque eles se completam e não se mesclam. O mundo não teria a menor graça, a vida não teria nenhum deslumbramento se fôssemos todos estritamente iguais.
Somos feitos da mesma matéria, sofremos igualmente, temos o mesmo poder de inteligência, talento e competência, mas nos contrastamos na forma básica de amar, sentir, no jeito de demonstrá-lo, nas necessidades intrínsecas, porém contrastantes de ser felizes. E na união dessas características é que poderemos encontrar o caminho da perfeição e verdadeira felicidade.
Estamos e continuaremos na nossa luta, embora pareça que agora há uma concepção mais atual e abrangente do que significa a emancipação das mulheres. Emancipar-se não é em absoluto se transformar, mas se fazer entendida nas potencialidades que estão ligadas a uma intensa feminilidade. Potencialidades essas que nos dá o direito de ter independência financeira e pessoal sem abrir mão do atributo mais elementar da mulher que é sua própria feminilidade. Na vida pública como particular a mulher carregará sempre seu fascínio natural como o homem sua masculinidade sem o que não estaria esclarecido o que significa emancipação.
Não nos tornamos iguais nem permitimos isso. O que estamos conseguindo não restringe nem elimina a própria personalidade feminina, doce e meiga, mas faz com que a mulher com todos os seus atributos cheios de encanto e enfeitiçadores tenham os direitos que são concedidos ao homem. Ser respeitada, oportunizada em sua profissão, com a independência que deve ser legada aos seres humanos diferenciados pela sua característica sexual, porém cidadãos e pertencentes ambos ao giro onipotente do planeta.
Não conquistamos ainda a luta, principalmente a compreensão que assim como o homem não abre mão de suas peculiaridades a mulher lança todos os dias seu grito de liberdade conservando gloriosamente suas qualidades intrínsecas de mulher competente e sedutora. E por isso nos atraímos, precisamos um do outro desesperadamente e igualmente independentes e mutuamente respeitados nos queremos e amamos realizando-nos como homem e mulher exatamente pelas diferenças naturais e intrínsecas. É isso que comemoramos no dia Internacional da mulher.
(Em Homenagem ao dia Internacional da Mulher que está próximo)
Nasci como já disse algumas vezes em meio a homens como meu pai e avô, defensores e admiradores da mulher em sua essência mais profunda. Ouvia meu avô dizer que se o mundo fosse um matriarcado, ou seja, liderado por mulheres, seria outro, mais gentil, humano e verdadeiro. Evoluído e com um desenvolvimento mais acelerado. Era isso que eu entendia. A figura da mulher enaltecida, amada e admirada profundamente com sua profunda característica de sedução o que a tornava quase uma deusa da mitologia grega.
Acresce que não era um mito que eles apreciavam, mas a figura feminina em sua essência mais profunda, lutadora e persistente, misto de fascínio e coragem.
Quando mais tarde pude notar o preconceito que se formava em torno, o mundo discriminativo e machista compreendi a luta empreendida há já muitos anos, mas que não chegara ao fim determinado como, na verdade, ainda hoje. Queremos e precisamos de mais.
Muitas conquistas numa luta insana foram adquiridas, conseguimos até mesmo certa supremacia, a realização de uma vida lutadora e independente, a obrigatória forma com que os homens passaram a nos respeitar conscientemente. Mas isso ainda não nos bastava. Não era supremacia que queríamos verdadeiramente porque isso implicaria em reserva de atributos que não deveriam ser abandonados. Mas a igualdade diferenciada. Uma igualdade como seres humanos divididos em duas categorias ou gêneros, mas com nossos contrastes básicos de delicadeza, feminilidade, doçura, sedução, fascínio e oportunidades profissionais e direitos inatingíveis.
A grande luta é e será sempre para que se compreenda que não podem existir dois sexos completamente semelhantes porque eles se completam e não se mesclam. O mundo não teria a menor graça, a vida não teria nenhum deslumbramento se fôssemos todos estritamente iguais.
Somos feitos da mesma matéria, sofremos igualmente, temos o mesmo poder de inteligência, talento e competência, mas nos contrastamos na forma básica de amar, sentir, no jeito de demonstrá-lo, nas necessidades intrínsecas, porém contrastantes de ser felizes. E na união dessas características é que poderemos encontrar o caminho da perfeição e verdadeira felicidade.
Estamos e continuaremos na nossa luta, embora pareça que agora há uma concepção mais atual e abrangente do que significa a emancipação das mulheres. Emancipar-se não é em absoluto se transformar, mas se fazer entendida nas potencialidades que estão ligadas a uma intensa feminilidade. Potencialidades essas que nos dá o direito de ter independência financeira e pessoal sem abrir mão do atributo mais elementar da mulher que é sua própria feminilidade. Na vida pública como particular a mulher carregará sempre seu fascínio natural como o homem sua masculinidade sem o que não estaria esclarecido o que significa emancipação.
Não nos tornamos iguais nem permitimos isso. O que estamos conseguindo não restringe nem elimina a própria personalidade feminina, doce e meiga, mas faz com que a mulher com todos os seus atributos cheios de encanto e enfeitiçadores tenham os direitos que são concedidos ao homem. Ser respeitada, oportunizada em sua profissão, com a independência que deve ser legada aos seres humanos diferenciados pela sua característica sexual, porém cidadãos e pertencentes ambos ao giro onipotente do planeta.
Não conquistamos ainda a luta, principalmente a compreensão que assim como o homem não abre mão de suas peculiaridades a mulher lança todos os dias seu grito de liberdade conservando gloriosamente suas qualidades intrínsecas de mulher competente e sedutora. E por isso nos atraímos, precisamos um do outro desesperadamente e igualmente independentes e mutuamente respeitados nos queremos e amamos realizando-nos como homem e mulher exatamente pelas diferenças naturais e intrínsecas. É isso que comemoramos no dia Internacional da mulher.
NOITE DE INVERNO
Por Ridamar Batista (Badajoz, Espanha)
O vento sopra tão bravo
parece golpe de espada
cortando a face da noite
deixando marcadas feridas
de onde o sangue não escorre.
Vem trazido de bem longe
faz a volta entre os montes
e chega aqui veloz, feroz e gelado.
A noite descabelada
geme de dor e de frio
mulher abandonada.
A lua acovardada, branca de medo
esconde detrás da chuva
que respinga em neve c lara
desnorteando os pássaros.
Vento! Gemido de dor
grito assombrado de morte
alma vivente perdida
num caminho sem volta.
O vento sopra tão bravo
parece golpe de espada
cortando a face da noite
deixando marcadas feridas
de onde o sangue não escorre.
Vem trazido de bem longe
faz a volta entre os montes
e chega aqui veloz, feroz e gelado.
A noite descabelada
geme de dor e de frio
mulher abandonada.
A lua acovardada, branca de medo
esconde detrás da chuva
que respinga em neve c lara
desnorteando os pássaros.
Vento! Gemido de dor
grito assombrado de morte
alma vivente perdida
num caminho sem volta.
EM TRANSE
Por Ridamar Batista (Pirenópolis, GO)
Farejo-te olores inesquecíveis
Como animal no cio
Ouço teu uivo rouco
De solidão e saudades
Perdido de amor pela lua
Nas brumas vazias
Da alma em transe.
Sou fera vadia
Que anda nua
Corro atrás de ventania
E solto minhas madeixas
Em ondas revoltas
De mar e céu e luar
E sopram em minhas narinas
Todos os cheiros
Que de ti me vem
E sinto-te também
Perdido de mim
Nos braços de outro alguém.
Farejo-te olores inesquecíveis
Como animal no cio
Ouço teu uivo rouco
De solidão e saudades
Perdido de amor pela lua
Nas brumas vazias
Da alma em transe.
Sou fera vadia
Que anda nua
Corro atrás de ventania
E solto minhas madeixas
Em ondas revoltas
De mar e céu e luar
E sopram em minhas narinas
Todos os cheiros
Que de ti me vem
E sinto-te também
Perdido de mim
Nos braços de outro alguém.
UM DEUS
Por Ridamar Batista (Pirenópolis, GO)
Habita em mim um deus
descomunal, agigantado
pela visão desfocada de mim
um deus capaz e forte
de mover montanhas
escondido na concha túrcica
de meu côncavo ternura
guardado na paz serena
de cada crença que possuo.
um deus, sombra e luz
constância em cada movimento
um sentimento de amor
uma dúvida de dor
uma discrepância
uma verdade latente
ou quem sabe semente
jamais renascida
uma fé imbuída
uma incerteza constante.
um deus habita em mim
tão forte e vacilante
como o encrespar de ondas
que bailam a cada maré
mexendo na minha fé.
Habita em mim um deus
descomunal, agigantado
pela visão desfocada de mim
um deus capaz e forte
de mover montanhas
escondido na concha túrcica
de meu côncavo ternura
guardado na paz serena
de cada crença que possuo.
um deus, sombra e luz
constância em cada movimento
um sentimento de amor
uma dúvida de dor
uma discrepância
uma verdade latente
ou quem sabe semente
jamais renascida
uma fé imbuída
uma incerteza constante.
um deus habita em mim
tão forte e vacilante
como o encrespar de ondas
que bailam a cada maré
mexendo na minha fé.
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