PLANTE AMOR, POIS O MUNDO PRECISA!

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

          Não fiquei na dúvida, a ambição dos poetas e poetisas é querer transformar em utopia, o mundo distópico, no qual nós vivemos. Mas, apesar desta desordem, em nossa volta, seria lícito morrer sem amor, escravizando assim, nossa própria mente por vaidades? Repudiamos o amor por mesquinhes, pelo fato de não conseguirmos seguir em frente. Então, cadê o livre-arbítrio de termos esperanças? Ora! Ser narcisista a ponto de destruir o amor e a esperança, que ainda teimam em nos motivar.

Devemos nos unir, ainda há tempo de criar histórias.

Podemos sim, escrever histórias concretas. Mas, não preciso empurrar com tanta força e indignação, o que há de melhor dentre da gente, dando crédito aos oponentes.

Escreva com caráter, deixe de lado o que vão pensar. Lembre-se! Em tempos sombrios plante amor! Então, que seja assim, mais amor e menos ódios. Ei, precisamos dar voz ao mundo, entende...!

 

Fabiane Braga Lima, é poetisa, contista e cronista em Rio Claro, São Paulo.

Contato: debragafabiane1@gmail.com

EM MULTIVERSOS INFINDOS

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

A afro-deusa já não cabe mais

Em sintécticas e sinfônicas poesias

Em eufônicos estribilhos abstratos

Em etéreos e aéreos

Poemas sonolentos neossurrealista

Lançadas aos sabores atrozes

De ciclônicos e velozes

Ventos alísios vorazes

***

A ninfeia de ébano

Dos milenares e nevoentos

Bosques cantados

Já não cabe mais

Em fluídas éclogas pós-modernas

Em idílicas églogas pastoris fluídas

De amores platônicos vãos

Entoadas pelo vate decadentista

Para muito além

Das álgidas infinitudes astrais

***

A afra musa desassossega

Em hialinos desassossegos

Flanou sozinha por fim

Foi semear em negros prantos

O sidéreo e cristalino amor puro

Em multiversos agrafos

Para muito além dos astros-mortos


(Fragmento do livro Astro-domo, de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina)

 

 

DIA DO ESTUDANTE

Por Marcelo de Oliveira Souza, IWA (Salvador, BA)

 

O Dia do Estudante 

É data de reflexão

Comemorem bastante

Mas não saiam do padrão.

 

Na   labuta  constante

Da tua profissão

Tu és viajante

Para sua projeção.

 

Para membro atuante

Da comunidade, então...

Precisas de foco perante

Tanto fascínio da consumação.

 

Uns deixam de ser viajante

Do sonho em questão,

Desmotivam no início pulsante

Da desconcentração.

 

Outros com foco atuante

Mestres da sua situação,

São heróis de sua  jornada distante

Recebendo  o diploma na mão.

 

As  vias do desencontro cruciante

Depende da sua concentração

Foco e fé constante

Palavras fortes em perseguição.

 

A vida não é fácil para o ser atuante

Que vai vestir o mundo com sua aspiração

O sonho é uma constante

Para quem quer vencer também  nessa nação.

 

Nesse mundo gigante

Tu és o mestre da sua condição

Ou será firme e atuante

Ou  viverás na eterna   lamentação...

 

SONHOS CREPUSCULARES (NA DORSAL ATLÂNTICA)

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

(Em memória de Moacir da Costa)

 

Retoquei minha vida

Achei forças e alicerces

Em lugares que eu não conheço

Fiz que o amor brilha-se

Restaurando nossa inocência

Impulsionando nosso puro amor

 

Patrícia Raphael

 

Um breve momento

Um instante apenas que é

A nossa efêmera passagem

Neste plano terreno

***

Uma lufada aterradora

Um negro brilho vago

Nos aterrados olhares

De todos os ascetas diaspóricos africanos

Em um abrupto trespassar

Para o novo mundo

***

Uma luz que se apagou

Uma vida breve

Em tétricas dores eviternas

***

Entres melodiosas sonatas

De negros prantos

E angelicais lágrimas

Um adeus dorido

Em infinitos risos infandos

E quiméricas margaridas vagas

Na cosmovisão astral

De os augustos

Afros Aedos decadentistas

A negra luz da pós-modernidade

Liquefeita

***

São sectos e mais sectos

De atrozes, vorazes e velozes

Tumbeiros genocidas

Onde todos os suicidas alquebrados

De todos as trêmulas negras almas

Diaspóricos insepultas

Foram lançados na abissal

Dorsal Atlântica

***

Uma celestial chama incandescente

Lá nas tensas alturas

Onde arcangélicos querubins

E benfazejas querubinas

Alheios as dores terrenas

Flanam sonhando no páramo

Entre eflúvios de ebúrneos lírios

E níveas e excelsas rosas polares

 

Fragmento do livro Astro-domo, de Samuel da Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

 

O VENTO OUTONAL

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Eu senti o vento do outono, a minha pele pálida e o meu corpo trêmulo ficou intacto. Plantei sementes férteis e as reguei para que, os frutos ficassem mais doces e as raízes, ficassem mais fortes. Deixei o passado para trás e todo caos enterrei. E pela primeira vez me fiz dona de mim, criando um vínculo com a mãe natureza.

As folhas velhas caíram, pois o vento do outono estava forte e no chão lá estava o passado. Olhei o meu rosto no espelho, brilhava, era um presente, o hoje, as sementes férteis, nas quais eu plantei.

Como mulher, me enxerguei. Eu sei, sempre estarei me moldurando. Mas quanto ao passado, o vento do outono levou. Enterrei meus (eus) junto aos cacos. E, o grito que me atormentava se silenciou, dando espaço a uma nova mulher…! Liberta!

 

Fabiane Braga Lima, é poetisa, contista e cronista em Rio Claro, São Paulo.

Contato: debragafabiane1@gmail.com

PRAZER...

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Somos reféns de nossas escolhas

Amedrontados por obscuridades

Servos mundanos de banalidades

Refém de uma teologia neutra….

***

Somos paradoxos,

Mas como é curioso...

Quando nós aceitamos! Mudamos!!

Se pararmos para pensar,

A nossa cura, nem sempre é prática,

Ou filosófica

***

Às vezes é necessário um caos

Dentro de nós, para gerar a cura...

O caos e o medo do caos,

Atraem mais caos

E menos amor-próprio...

Arrume a sua bagunça

E seja sua própria versão!

Eu sou o meu próprio caos

 

Fabiane Braga Lima, é poetisa, contista e cronista em Rio Claro, São Paulo.

Contato: debragafabiane1@gmail.com

CAMPO SANTO (GRAVEYARD)

Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

 

Minha perdida alma!

Tateia em imersão...

A quimérica escuridão absoluta,

Da álgida eviterna noite.

E vai procurar um abrigo seguro!

No místico vergel encantado.

Vai te procurar divinal negra musa.

Eu não quero mais ficar sozinha

 

Samuel da Costa

 

Escrevendo na abissal escuridão

Em companhia da solidão

E de balsâmicas negras velas

E doridas lágrimas profundas

Escorrem no meu rosto

***

E nevoentos prantos soturnos

Na mais completa escuridão

Entre isolares passeios notívagos

Ao campo santo! Flanam no ar

Agorentes negras aves!


Estribilhos decadentistas

São entoados...

Ergamos as nossas hialinas taças

Um avoé! Saudamos Baco e Dionísio

***

No hoje! No agora!

Eu prefiro contemplar sozinha

O frescor da álgida brisa matinal

Da atlântica alvorada rubra

***

No answers... No questions

Without fears... No blame

Without faith

Today is what I am now

***

No hoje eu prefiro ficar sozinha

E contemplar o benfazejo color

E o brilho solar do astro rei

Em cada novíssimo dia

 

Clarisse Cristal é poetisa, novelista e bibliotecária em Balneário Camboriú, Santa Catarina.