O DIÁRIO DE KIRA (PARTE 11)

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

Mas se ele for mesmo um assassino, como provar? O que fazer? Até então sou considerada uma bruxa pelos meus vizinhos e dentro de mim existe um forte desejo sexual por ele. É meu tio eu sei, mas acima de tudo ele é o homem que conseguiu me seduzir.

Como controlar meus impulsos sexuais? Como fugir desse homem? Eu tentei me relacionar com outros homens, sempre acontecia algo. Conheci Carlos, me senti completamente envolvida. De início bons amigos, encontros e conversas descontraídas até que a atração física surgiu. Então vivemos uma amizade colorida, quem não gostou nada disso foi meu tio Felipe. Disse que eu não poderia me envolver com outros homens além dele.

Encarei tudo isso como ciúmes e continuei com a nossa amizade. Mas como falei sempre acontece algo, de repente Carlos sumiu, não retornou minhas ligações, pensei até que tinha ido embora. O triste foi saber que ele não tinha se mudado e sim que ele havia falecido. Pelo que me falou seu primo, Carlos não apareceu em casa após o nosso encontro e foi encontrado morto num terreno baldio 4 dias depois.

            Eu senti muito. Chorei quando vi seu corpo no caixão, parecia que muitas coisas estavam para mudar em minha vida. Até ouvi uma voz feminina falando sobre mudanças. Assusta? Sim. O medo também nos dá ensinamento. Ninguém imagina que a sua vida vai mudar drasticamente, você só quer viver um dia de cada vez. Foi o que eu pretendia fazer ao sair do cemitério.

 

Clarisse da Costa é poetisa, contista, cronista e designer gráfico em Biguaçu, Santa Catarina.

 

PARA QUE EU POSSA DANÇAR CONTIGO!

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Quantos poemas sem poesias?

Eu preciso apreender!

Para eu dançar contigo?

***

Quantos poemas sem poesias!

Desenhadas no ar...

Eu preciso compor

Para ti divinal negra diva

Quantas abstratas poesias lançadas!

Ao mar revolto...

Para eu puder dançar contigo?

***

Quantos traços de nevoentas poesias,

Lançadas aos ventos solares;

Para que eu possa...

Dançar contigo e comigo...

***

Quantos poemas eu escrevi?

Quantas poesias eu compus?

E eu ainda preciso aprender!

A dançar contigo no ar!

***

Eu preciso aprender a dançar!

Nos céus infindos...

Comigo e contigo.


Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

CRÔNICA DO DIA: DEUS EX MACHINA BY BUS (SEGUNDA PARTE)

Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)


 Somos reféns de nossas escolhas
 Amedrontados por obscuridades
 Servos mundanos de banalidades
 Refém de uma teologia neutra…

 
Fabiane Braga Lima


                 Do final da opereta bufa, tendo Renatinho terceiro como antagonista, fui tomar um café com o Sebastião, o Tião para os íntimos. Ocupamos uma cadeira de plástico em um pé sujo na rodoviária e confesso que é um lugar melhor que os ditos estabelecimentos chiquetosos, que estava acostumada a frequentar. Sentamo-nos e esperamos, uma bela mulher negra, com aparência estrangeira veio nos atender, ela anotou os nossos pedidos e foi embora. Aguardamos em silêncio e não demorou ela trouxe os nossos bens passados cafezinhos puros.
          Perguntei para o Tião se era sempre assim, o dia a dia dele, pensei que ele iria tirar um cigarro barato do bolso e dar uma tragada, mas não, ele tirou um cigarro eletrônico e deu uma tragada discreta. Tião olhou para o lado, como querendo ver se alguém estivesse por perto. 
O motorista de profissão, me deu aquele olhar de quem quer dizer: ̶ Quem és tu? O que de fato queres comigo? Devolvi o olhar e relatei brevemente quem eu era e sou de fato, um negro anjo, uma filha dos privilégios de uma classe abastada, uma querubina como diz o meu amigo Samuel da Costa. Tião me olhou desconfiado, mas aceitando a minha explicação, ele me disse que vez ou outra apareciam estudantes e jornalistas em início de carreira ciscando no ambiente que ele vive. E logo eu o interrompi, dizendo que eu não era da polícia e nem trabalhava para a empresa de viação e Tião deu uma enorme risada.
O motorista de profissão me confidenciou que era normal, ferrados não terem dinheiro para pagar as passagens e fiscais da empresa de viação, o interpelaram ainda dentro do ônibus. Ele sempre dizia para os fiscais, que passava fiado e que qualquer coisa pagava do próprio bolso.

           Como geralmente eram trabalhadores, Tião sempre recebia no final do mês, e sempre tive a mesma conversa com Renato segundo, dando sempre a mesma explicação.
Sebastião, me disse também que era motorista de profissão e que tinha várias categorias e cursos de transportes de direção de produtos perigosos. Ele me disse uma história, uma passagem ocorrida no Rio de Janeiro, um transporte de congelado. Logo, pensei em uma favela, cheia de traficantes de drogas bem armados e eu não estava de toda errada.
            Assim ele me relatou: ̶ Olha menina eu estava no Rio de Janeiro! Eu deveria fazer uma entrega em um frigorífico, e chegando lá notei que o depósito era dentro de uma favela. Chegando vi um posto policial, uma barreira, um alívio? Não, um início das minhas dores de cabeça, pois vi vestígios de incêndios ao redor do posto avançado da polícia.
            De cara minha querida e jovem amiga, o comandante do posto avançado perguntou para onde eu queria ir. Como eu dirigia uma carreta de transportes de frigoríficos e estávamos próximos de um depósito de congelados, logo era uma senha para propina. Me fiz de João sem braço e falei para onde eu queria ir. Então o meganha, guarnecido por outros quatros meganhas, homens marombados e fortemente armados. Para passar, disse o meganha chefe, que eu deveria deixar cinco caixas de congelados com eles, somente para passar, sem direito a escolta, disse ele. Eu ainda estava atrás do volante e simplesmente disse que não ia pagar coisa nenhuma e liguei o motor do meu possante e o policial me disse que eu não ia longe, não naquele lugar e não com aquela gente. E que o posto onde eles estavam foi incendiado oito vezes, aí eu entendo mesmo que eu teria passagem segura.
Dei arranque e não fui longe mesmo, pois vi três homens negros, jovens, pelo que eu entendi ainda à praia. Parei e os meninos me perguntaram se eu estava com problemas, eu falei da conversa que tive com os meganhas marombados. Indignados os meninos fizeram menção de pôr fogo no posto policial de novo. E pelo que eu entendi os homens da lei causam muitos problemas com as autoridades, logo perguntei se eles queriam ganhar uma grana e ganhar umas caixas de congelados se me ajudassem na descarga da carreta. Dei uma grana nas mãos dos guris, e três caixas de congelados, uma para cada um. Fiz três bons amigos, que me deixaram boas lembranças. Tenho que ir guriazinha, eu volto para casa e creio que passou da hora da senhorita voltar para casa antes que escureça.
             Termino aqui este relato, dizendo não que eu mudei de concepção de sociedade, pois não sou alienada e sim tendo uma real noção do mundo em que vivo e mais preparada também.


Fragmento do livro Do diário de uma louca, de Clarisse Cristal, poetisa, contista, novelista e bibliotecária de Balneário Camboriú, Santa Catarina.

 

DOS RIDÍCULOS DA VIDA: O ESPAÇO PÚBLICO E AS CHAVES QUE TILINTAM E VOAM NO AR

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)


           O mundo se organiza atrás de conflitos e mudanças constantes, grandes ou minúsculas se movem e se batem em um ir e vir aos sabores das ocasiões. Resumindo assim um pensamento corrente dito de formas variadas por vários e grandes pensadores. Mas como aqui neste pequeno espaço não é um lugar de grandes elucubrações. Pois nas castas do funcionalismo público sou menor que um amanuense e no mundo do pensamento acadêmico não sou lá grande coisa.
Agora que todos e todas sabem das minhas limitações atrozes, sou direto ao ponto. Lá estava eu, um mero agente do aparato repressivo do estado, um guardinha ali da esquina no popular, guardando e resguardando um aparato colegiado e fiscalizador do estado.

           E antes de mais nada posso decorrer da minha infeliz situação, sou um paramilitar, tenho um chefe que se denomina comandante. E o que é um paramilitar? Primeiro o óbvio, trabalho uniformizado, mas não sou militar, ou das forças auxiliares das forças armadas. E também não sou civil e por fim não uso armamentos bélicos letais e não-letais.
E a tal sede do aparato colegiado e fiscalizador do estado estava dividido no meio por outro aparato estatal, mezzo local mezzo estadual, um aparelho de socorro de urgência e emergência. Eu devidamente uniformizado, emparedado entre médicos e médicas, enfermeiros e enfermeiras e motoristas socorristas homens e mulheres de um lado e dos outros agentes do aparato local a qual eu respondia e também não respondia pois sou de outro aparato.
           Com um prédio pequeno e dividido no meio, por dois entes estatais com funções diferentes, com horários diferentes, com uniformes diferentes os choques eram inevitáveis. E relato aqui um em especial, um militar apareceu no prédio e não sei ele viu ou ignorou a enorme faixa onde dizia em enormes fontes garrafais: Estacionamento de ambulância! O dito cujo militar de alta patente estacionou o veículo oficial na vaga exclusiva para ambulância. Problemas a vistas pensei comigo mesmo ao ver o oficial de patente intermediária, devidamente uniformizado, que subia saltitante as escadas rumo às alturas do páramos. Foi se juntar o querubim aos seus iguais semideuses.
           E lá vai eu, encarar os semideuses e bem antes que outros semideuses terminassem de salvar a vida de algum pobre mortal e voltar para o páramo e verem um dos seus lugares sagrados ocupados por um veículo oficial de outros querubins. E de eu subir as escadas até o sacrossanto espaço de querubins e querubinas eu ensaiei bem o meu discurso e ao ver os dois semideuses querubins conversando animadamente e ignorar-me por completo. Eu disse ao querubim que ocupou o espaço dos outros semideuses que ele ocupou um espaço que não era dele e que deveria tirar o veículo oficial do lugar. Sorrisos sumiram e bocas se calaram, em um silêncio constrangedor que pairou no ar. Até que o querubim invasor levou a mão até o bolso do uniforme e tirou dali um molho de chaves.

           E antes que ele lançasse o molho de chaves no ar, antes que tilintassem no ar, levei a mão no e disse que ele mesmo deveria tirar o veículo do lugar. Caras amarradas, molho de chaves de volta ao bolso, querubim se levantando, se rendendo uma fácil hierarquia de poder que emanava dos hirtos manuais militares o homem foi tirar o veículo e estacionar ao lado no lugar devido. E para civis que se perguntam o que emanava dos hirtos manuais militares eu digo que somente militares podem dirigir veículos militares e a obediência à hierarquia. E a hierarquia dizia que quem mandava no subsolo do páramo era eu.
      Por hoje é isto, pois os desdobramentos do que veio depois fica para depois, pois molhos de chaves não pararam de tilintarem no ar e bem como olhares enviesados de querubins e querubinas para este paramilitar que escreve este breve relato.


Fragmento do livro Dos ridículos da vida,  de Samuel Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

DOS RIDÍCULOS DA VIDA: TOMARA QUE NÃO MORRA!

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Vivemos em ecossistemas, criamos laços profissionais e de relações diversas, superficiais, rápidas e duradouras. Sou um funcionário público, sou membro da superestrutura, um ecossistema muito particular, a bem da verdade. Eu como um agente efetivo do aparato repressivo, tenho uma visão muito particular, bem diferente de quem vivencia a infraestrutura.

Indo direto ao ponto, sem divagações marxianas e indo direto às ridiculices, lá estava eu às voltas com um amigo, um colega de trabalho, em vias de se aposentar. E vi e ouvi em primeiro plano parte dessas agruras e lá estávamos nós, diante do balcão do nosso instituto de previdência. E diante de nós, não um querubim e sim um simples recepcionista, habitante do subsolo. E o meu bom amigo com uma posta cheia de documentos, todos devidamente carimbados, assinados e reconhecidos em cartórios, prontos para serem protocolados, dar entrada na aposentadoria.

Eis que, o habitante do subsolo avisa que a querubina responsável por receber as documentações estava de férias e iria entrar depois tiraria uma licença prêmio. E um pouco de contexto aqui, ela tinha vindo de dois meses de atestado, não que a querubina não tenha direito a atestados médicos, férias e licença prêmio. E que a única responsável, por receber todas as documentações de entradas de aposentadorias, estaria sete meses afastada do trabalho. Até lá, todas as entradas de aposentadorias estariam suspensas e para os ridículos da vida, tomara que a dita cuja não morra, caso contrário os elementos da máquina pública local, estariam tolhidos das suas aposentadorias. Daí vem a frase e denominação desta parcela do ecossistema da superestrutura estatal: tomara que não morra, caso contrário não haveria ninguém para receber as documentações de entrada de aposentaria. Assim são denominados alguns querubins e querubinas, não que na infraestrutura esses seres semideuses e semideusas não existam. É são mais raros na iniciativa privada e nas máquinas estatais os tomara que não morra são abundantes.

Bem que a história da querubina tomara que não morra, poderia acabar por aqui, mas não, quando a querubina tomara que não morra, voltou para o trabalho, lá foi o meu amigo, dessa vez eu não estava junto, e ele entregou as documentações para a querubina tomara que não morra. E ela recebeu de bom grado, analisou todas as documentações ali mesmo no balão. Ela leu, conferiu, carimbou e devolveu para o meu bom amigo. Ela avisou que ele deveria levar as documentações para o burgomestre e o coitado do meu bom amigo e colega do subsolo da superestrutura perguntou se ela poderia levar a documentação. Mais um pouco de contexto aqui, as duas superestruturas eram vizinhas, poucos metros separavam os dois prédios. A querubina tomara que não morra, disse que não, que ele deveria entregar as documentações e somente de tarde. Era de manhã este drama.

Derrotado o meu amigo, voltou para casa com as documentações, lidas, analisadas e carimbadas. Ao dar entrada da documentação do pedido de aposentadoria no departamento de recursos humanos na superestrutura, o meu bom amigo dá de cara com a querubina tomara que não morra. Ela recebia as documentações, lia, analisava e carimbava na parte da manhã no instituto de previdência e recebia de tarde as mesmas documentações. A querubina tomara que não morra, dava expediente em duas repartições públicas. O meu bom amigo entregou as mesmas documentações para que a querubina tomara que não morra e se aposentou meses depois.

Fragmento do livro: Dos ridículos da vida, de Samuel Costa contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

O ALFA E O ÔMEGA: PORTAL TO DOOMSDAY

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)


Encontrei as chaves perdidas de papai
Estavam lá, estáticas e bem seguras
Na algibeira interno do meu sobretudo negro
Agora sou eu que não me encontro mais
Acordo pelo amanhã e contíguo a mim
Uma angústia Infinda
De ser uma outra pessoa
 Alheia do que fui até a pouco

 Clarisse Cristal


               Ao recobrar a consciência Grege Sanders percebeu uma movimentação das tropas. O estudante de arquitetura olhou para cima e viu um Zepelim moderno, que lentamente pendia do céu, rumo ao chão. A poucos metros uma guarnição de militares fortemente armados formaram um corredor e uma banda marcial uniforme hussardo estava postada ao lado da coluna esquerda.
            Sanders por fim recobrou totalmente a consciência, olhou para os lados e percebeu onde estava. Parecia que estava em um parque arborizado e muito bem cuidado, um coreto ao lado direito chamou a atenção. O estudante de arquitetura percebeu a fauna noturna no lugar, uma profusão variada de tribos urbanas. O que Sanders percebeu lá estavam os grafiteiros, rappers, grunges, metaleiros, rastafaris, clubbers, cosplayers, andrógenos, Drag Queens, Vintages e entre outros que Sanders não foi definir.
                Andando em grupos heterogêneos, falam uma língua que Grege desconhecia, mas ele percebeu traços da língua francesa, italiana, espanhola e uma variedade de idiomas que Sanders calculou que eram falares mediterrâneos. Uma forte dor de cabeça assolou o estudante de arquitetura e fortes zunidos pareciam querer estourar a cabeça de Sanders. O estudante de arquitetura andou cambaleando, em meio a pequena multidão e todos e todas da fauna variada estava alheia à presença dele.
                Os falares chegaram aos ouvidos de Sanders e começaram a fazer sentido. As palavras Luna, peça de teatro, triunfo, rainha Sibelly Lopez e condessa Fá Rodrigues Butler. Sanders decidiu andar para onde a fauna notívaga estava indo. Caminhavam pela pequena rua arborizada enquanto falavam de filmes, discos, roupas, séries de TVs, programas de rádios e afins. Trocavam fitas cassete, livros de bolso, esboços de desenhos, roteiros para filmes, letras de músicas, broches e afins.
              Sanders ouviu falar das trocas que aconteciam nos trens de monotrilho, depois da avalanche tecnológica, das infestações de drogas sintécticas e explosões de crimes em zonas urbanas e regiões afastadas dos grandes centros urbanos. As viagens nos ultras velozes se transformaram o que seria uma zona de exclusão itinerante, seguras e livres das violências de alta tecnologia. Devido ao magnetismo, poucos artefatos digitais e mecânicos de fato funcionavam nos vagões. Sanders também ouviu os sussurros das outras zonas de exclusão, militarizadas. Onde ocorriam anomalias no espaço e tempo. Então aqueles dois universos se conectavam, se encontravam ali.
              E caminhando para o final da ruazinha, bem iluminada, como em uma procissão, Sanders, o estudante de arquitetura em um vislumbre, foi um a entrada de um portentoso teatro antigo reformado. As colunas jônicas de mármores branca e ricamente detalhadas nas bases e no topo, os exatos trinta e três degraus. Sanders viu duas modernas estátuas de mármore destoando do estilo clássico grego, duas mulheres com rosto masculinizados, olhando em desespero agonizante uma para a outra. Afastadas por três metros, com os braços esticados querendo se unir, Sanders ficou chocado com o realismo da cena, pareciam vivas aquelas estátuas frias mármore.
            Subir as escadas e ver de perto as duas estátuas de tamanho natural reforçou o que Sanders tinha notado, eram mesmo expressivas e realista a agonia nas expressões faciais. Grege Sanders queria conhecer o artista, necessitava conhecer quem concebeu as peças. Ao caminhar Grege viu um enorme portal de madeira Paolo Santo, ricamente entalhado, o estudante se perdeu nos detalhes artesanais da obra. Eram cenas de tribos ameríndias, em cenas de caça e pesca, uma cena em particular chamou a atenção de Sanders, era um homem com traços africanos descendo do céu e na outra cena o ser sobrenatural era adorado como um Deus pelos ameríndios.
            A pequena multidão apreensiva diante do mural entalhado, até o portal se abrir. Sanders parado ficou divagando se entreva ou não no teatro, a pequena multidão passou ao largo do estudante de arquitetura como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Fragmento do livro: Sono paradoxal de Samuel da Costa é poeta, contista e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br

 

MAR AGITADO

 Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

É estranho como as coisas

Vão se conduzindo às vezes,

Quando tudo parece calmaria

A vida segue como mar agitado.

Não dá nem para perceber

As badaladas do relógio

Com tanta coisa acontecendo.

Alguns dias são como

Tempestades dentro de mim,

Outros dias como brisa leve pela manhã.

E eu só quero estar

No meu cantinho particular

Entre canções, papéis e poesias.

Não me pergunte as razões

De se estar longe do amor

Eu só vou ter uma única resposta.

As coisas acontecem

Como tem que ser,

Algumas para melhor.


Clarisse da Costa é poetisa, contista, cronista e designer gráfico em Biguaçu, Santa Catarina.

Contato: clarissedacosta81@gmail.com