EI, ACEITA UMA XÍCARA DE CHÁ?

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

A educação tem sido a nossa arma mais poderosa, em meio a tantos a corrupções. Uma educação digna, nos dias atuais, tem sido nosso grito de socorro, as nossas lágrimas perdidas, diante tantos sonhos ocultos. Nas ruas, gritos de socorro de manifestantes ecoam no ar. Manifestantes bravos, que corajosamente, saem as ruas bradando por um país melhor. Muitas vezes os gritos são perceptíveis, através dos olhos e dos corações.

Quando se tem um intuito, é preciso ter foco e determinação, pois o único modo de escapar da corrupção é continuar lutando sempre. Desbrave o oportuno com seu grito, grite alto, siga seu intuito, lute por seus direitos. A vida passa tão rápido, que só nos damos conta quando é tarde demais, para ser feliz e preciso sonhar e ter metas!

A politicalha, está por aí e quem não luta por seus direitos é ausente de dignidade. Lute por seus direitos, sem oscilar! Mulheres empoderadas, lutando sem medo gritam alto a plenos pulmões. E quanto a minha pessoa, eu me disfarço muito bem por um país melhor. — Ei, quer uma xícara de chá!?

 

Contato: debragafabiane1@gmail.com

 

EU MEREÇO LER EM TEMPO DE PANDEMIA...

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

Andei pensando bem, sobre tantas tecnologias novas, em nossa volta, me desmotiva a escrever. Mata-nos por dentro, fica nítido em nossos corações, aquela vontade de desabar. Hoje me lembrei do meu tempo de escola, do cheiro de biblioteca e dos livros.

Entristeci-me e, ao mesmo tempo me lembrei, que não existem mais pessoas em bibliotecas, há anos, estão vazias. Fico me perguntando: — Como esta geração mais nova, vai poder ler um clássico, ou livros mais atuais!?

Hoje a nossa juventude passa o dia, idolatrando os youtubers, os tais influencers digitais, personalidades instantâneas e vazias, na grande maioria, inclusive o meu filho pegou esta moda cibernética. Muito triste tudo isso, como será a educação no nosso país? Através de youtubers e de influencers! Que conteúdo darão para as nossas crianças?

Este comportamento estúpido, desvaloriza crianças e adolescentes e já vem acontecendo bem antes da pandemia. Passou da hora de nós que somos pais tomarmos uma atitude, enquanto é cedo. As nossas crianças merecem ser valorizadas, com base na educação de qualidade...!

 

Contato: debragafabiane1@gmail.com

 

MAIS UMA VEZ ELIZA (EM RECAÍDA)

Por Fabiane Braga Lima (Rio Claro, SP)

 

O verão a pino e o calor estava insuportável então eu decidi pegar a velha bicicleta e sair para tomar um pouco de ar, decidi tomar a tranquila alameda ao fim da alameda. Inconscientemente mudei de rumo e enfrentei a agitada avenida, a três quarteirões além, um pouco mais adiante, estava o prédio onde Bruno, um amor antigo, que ali morava com a família. Parei, e da rua pude vê-lo bem, ainda estava jovem, estava feliz e brincando com os filhos pequenos, no parquinho do condomínio fechado. Curiosa que estava eu queria saber mais e, sem que ele notasse, tomei o hábito de passar sempre ao final da tarde para espiá-lo, ele ainda chamava minha atenção.

Lembrei da época, das nossas meninices, quando estudávamos juntos em um rígido colégio particular. Havia secção para os meninos e a secção para as meninas. A gente só se encontrava no recreio para brincar juntos, sobre olhares atentos de inspetores. Crescemos separados, mas um pouco mais crescidos, em bailes ou festas, sempre nos encontrávamos e trocamos olhares e breves palavras. Então na festa de formatura, entre sorrisos e abraços, entre as comemorações da realização pessoal e familiar. Onde os olhares rigorosos, deram descansos para todas e todos, em um rompante amávamos noite a fora, em um ato de rebeldia juvenil! Tivemos um breve romance clandestino e tumultuado.

Mas, a vida dá voltas, nos separamos e cada um seguiu o seu próprio caminho. Hoje, vendo-o novamente, meu coração disparou, voltei novamente ao passado remoto. Passado distante em tempo e espaço, no qual nunca foi bom para mim, cheio de mentiras, meias verdades, traições e de tudo que poderia ter sido e não foi, tudo mexeu com o meu psicológico.

— Elizabety, sou eu o Bruno, entre vamos conversar e beber algo. — De repente escuto a voz dele, me chamando para o tempo presente, para a realidade dura e cruel! Ele notou a minha presença por fim.

— Como estás Bruno? — Perguntei encabulada.

Eu estava constrangida, pois eu não sabia, quando Bruno tinha sentido a minha presença. Ele, que estava brincando com os filhos no parquinho, com os filhos, ele se aproximou do portão do prédio, parecia que tinha esquecido por completo a prole atrás dele. E os filhos nem se deram conta que o pai deles, que estava conversando com uma completa estranha parada na calçada do condomínio onde moravam.

— Estou bem! Sinto muito a tua falta! — Respondeu Bruno sorrindo com os olhos.

Como senti a minha falta? Pensei calada, sempre viveu de mentiras e a vida dele era uma farsa!

— Não, não, e não preciso ir embora. — Disse eu, subi na minha bicicleta, parti e nunca mais voltei a passar na frente do prédio de Bruno e nunca mais o encontrei.

Recomecei a minha vida, longe daquele homem fraco, que vivia me enganado com juras falsas de amor eviterno, foi apenas uma recaída e nada mais. Não voltei para olhar para trás! Para recomeçar é necessário evoluir, é preciso ter amor próprio para dar a largada. Que haja em nossos corações vontade de recomeçar, não apenas vontade, mas também muita coragem! Quanta a Bruno!? Já não sentia mais nada por ele...! Apenas uma certa curiosidade.

 


Contato: debragafabiane1@gmail.com

 

SEM LAR

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)

 

São vidas ceifadas pelas ações humanas.

O anjo e o diabo.

O bem e o mal.

O homem mata a si mesmo.

A liberdade para uns é um ato de crueldade.

Morrem os sentimentos de pertença humana,

Sonhos, lutas, desejos.

Vai se pelas águas histórias, perdem-se memórias em profunda dor.

Ali no colo da mãe o vazio…

O choro não tem mais lar.

 


Contato: clarissedacosta81@gmail.com

RETRATO CRUEL

Por Clarisse da Costa (Biguaçu, SC)


Não há nada mais simples que o fim.
Todos os sentimentos esdrúxulos eu vi naqueles olhares.
Não tinha um padrão ou regra.
Sequer tinha hora para chorar.
Ou mar para se afogar.
Tudo era uma unidade, fragilidade, equidade.
Naturalmente, a dor constante, 

Tornou-se cenário.
Somos vidas aparentes, emergentes…
Concernentes aos fatos, reflexo dos atos.
Os males são sentidos naquelas águas.
Os pés molhados perdem a direção.
O homem é a própria dor de si mesmo.
Inconsciente, eloquente, inconstante!
O retrato vive à penumbra do dia.
Assombrados pela morte,
levados por aquilo que os banham…
Urdia estranhas tempestades.
Lá se foi pelo rio intensas memórias,
carregadas de almas no vazio humano.



Contato: clarissedacosta81@gmail.com

 

QUANDO EU CRUZEI A PONTE DO ARCO-ÍRIS (THIS IS MY KINGDOM ASBRU)

Por Clarisse Cristal (Balneário Camboriú, SC)

 

‘’Eu não sei o que dizer?

Porque o que você falou.

 Eu não entendi nada!

Eu não compreendo...

A sua língua estrangeira... 

Rute Margarida Rita  

 

É incrível como sobrevivi

A tudo e a todos

E me sobressai

Com todos os meus místicos versos

Que lancei aos ventos solares  

***

E sem hora marcada

E me encontrei comigo mesma

E eu eufônica

Criei asas cibernéticas  

E vívida flanando

Trespassei a mítica Bifrost

***

When I crossed the rainbow bridge

This is my kingdom Asbru

Absolutely fantastic

And brilliant is this life that

I have and lead now

***

A despeito de tudo

E de todas as turbulências reinantes

Eu eufórica pude trespassar

A Bifrost

A Ponte Arco-Íris

E sentir o frescor primaveril

Entre campos e colinas verdejantes

Nos campos Elísios

Na Valhalla

***

A despeito da tua a indiferença

Eu sobrevivi a nós dois

E a mim mesma

***

A despeito de toda

A tua idílica veneração 

Desmedida

Para com a ebúrnea poetisa

Que vive em límpidas águas

De um tranquilo rio claro

Eu sobrevivi ao estribilho teu  


AS MINHAS PÁGINAS EM BRANCO

Por Samuel da Costa (Itajaí, SC)

 

Eu não tenho escrito nada de interessante ultimamente. Nada tem acontecido de uns tempos para cá. As páginas em branco, se sucedem em um ritmo diário impressionante, uma atrás da outra e dia após dia. Eu chego até a não me reconhecer mais, uma tragédia, íntima e pessoal, um fato lamentável!

Nem mesmo as pequenas tragédias do cotidiano, já não me inspiram mais. E meu jardim outrora florido, agora não passa de um deserto árido e sem vida. No céu as nuvens brancas, as estrelas, os astros e a lua parecem umas com as outras. As pessoas parecem uma com as outras. Já não reconheço mais minha pena, outrora cheia de mágoas, ressentimentos e iras.

A minha verve, agora parece conformada com as coisas, burocratizou-se e já não sonha mais com os impossíveis da vida. Já não tem aquela velha sanha avassaladora de quem vai mudar o mundo para melhor. Minha pena preferiu esconder-se no cotidiano e o meu íntimo diz: ‘’— Hoje vou escrever qualquer coisa, porque qualquer coisa está verve, qualquer coisa está bom! ’’

Como se vida não fosse um desenrolar de fatos novos. Fatos curiosos a serem vistos em ângulos diferentes, de várias formas. E em cada letra, a cada palavra uma descoberta, uma releitura da realidade. De como cada um vê e vive a vida à sua maneira, mas hoje as coisas estão assim mortas. Um arremedo de fatos novos que cheiram ao passado. Em suma muda-se o título, recompõe-se o texto e nada, nada acontece. Mas o que importa mesmo? Mesmo porque eu não tenho o ofício de escrever. Muito menos tenho o hábito de escrever bons textos!

 

Fragmento do livro: Uma flor chamada margarida, de Samuel da Costa, poeta, novelista e contista em Itajaí, Santa Catarina.

Contato: samueldeitajai@yahoo.com.br