Revista Cerrado Cultural, Vol. 16, No. 10 (outubro / 2026)
Por Dias Campos (São Paulo, SP)
A Casa de Repouso Jardim das Hortênsias era um exemplo a
ser seguido. O atendimento aos idosos era personalizado; o ambiente, propício à
socialização; as atividades físicas e lúdicas a todos estimulavam; os cuidados
médico e dentário nada deviam aos melhores planos de saúde; e a escolha dos
funcionários obedecia à rigorosa seleção.
A mensalidade era, portanto, salgada. Mas os responsáveis a
honravam com prazer, pois, além de reconhecerem a seriedade desses
diferenciais, viam os resultados estampados nos rostos dos moradores.
Mas como tudo o
que é bom pode ficar melhor, a contratação de um novo jardineiro foi, aos
poucos, elevando ainda mais o astral daquele lugar. E isso se devia não apenas
à afabilidade que lhe era natural, mas, sobretudo, à maneira peculiar com que
exercia a sua atividade.
Esse modo, não o
inventara, tanto que muitos há que o praticam. No entanto, o conversar
com as plantas como se fossem íntimos, com certeza fazia de seu João um
profissional que destoava, uma vez que o comum é ver um jardineiro trabalhando
sozinho e em silêncio. E se estiverem em dupla, o máximo que fazem é falarem
entre si.
Fosse como fosse, seu João seguia papeando com as plantas,
estivessem a céu aberto ou em vasos espalhados pelas dependências do Jardim das
Hortênsias. Apenas que, neste último caso, o diálogo realizava-se a baixa voz,
seja para não incomodar um idoso que estivesse próximo, seja porque muitos dos
assuntos tratados tinham um caráter de confidencialidade.
O jardineiro tratava as plantas com a mesma deferência
dispensada a qualquer pessoa. Daí que só iniciava um bate-papo depois do devido
cumprimento – bom dia ou boa tarde. Em seguida, queria saber se estavam com
sede ou se se ressentiam da marca do adubo. E as regava até que se dissessem
satisfeitas, e prometia às descontentes mudar o fertilizante assim que a verba
fosse liberada.
Era claro que os assuntos não poderiam estender-se, visto
que plantas e trabalho havia de sobra. Mas seu João sabia quando e como parar,
de maneira que nenhuma delas ficava melindrada.
E o fazia enaltecendo o viço nas suculentas; elas
agradeciam, e retribuíam com mesuras e bons conselhos. Seguia parabenizando a
escolha do modelito pelas rendas-portuguesas; elas sorriam, e faziam rodar os
vestidos. E prosseguia louvando as formas, as cores e as fragrâncias com que as
flores o brindavam a cada novo dia; e elas, apaixonadas, delongavam-se em seus
atributos, fazendo com que os moradores e funcionários mais e mais admirassem o
trabalho do novo jardineiro.
É claro que havia quem desfizesse da maneira que seu João
trabalhava. Afinal, observar um homenzarrão, com pouco mais de quarenta anos,
tagarelando com vegetais era, no mínimo, caricato. Mas o jardineiro, que não
era surdo, dava de ombros, já que o importante era respeitar os contrários, o
que sempre garantiria um bom convívio.
Entretanto, como a esmagadora maioria das pessoas tinha se
acostumado com o método empregado por seu João, alguns idosos, porque
estimulados com o que constatavam, também passaram a imitá-lo. De início
tímidos, receosos, só pronunciavam poucas palavras e apenas com as plantas que
decoravam os seus aposentos. Posteriormente, as conversas aconteciam em
qualquer local, e chegavam mesmo a empolgar.
Havia quem elegesse os girassóis para compartilhar a
vitória no campeonato de tranca; quem optasse pelos cactos visando a dardejar o
companheiro de quarto que jurava não roncar; e quem preferisse o salgueiro para
chorarem juntos ante a goleada imposta ao time do coração.
Os novos hábitos dos moradores não passaram despercebidos
dos funcionários, tanto que uma das cozinheiras começou a pedir sugestões para
suas violetas sobre um novo cardápio que pretendia implementar.
É certo que esse “efeito dominó” chegou aos ouvidos dos
três sócios da Casa de Repouso. E também é exato afirmar que nuvens cinzentas
assomaram sobre suas cabeças, haja vista o temor de que essa moda pudesse
manchar a excelente reputação de que desfrutavam, e, por conseguinte, comprometer
futuros contratos.
Mas como todos sabiam que jamais poderiam impedir que
alguém conversasse com as plantas; como era notório que a maneira de ser e de
agir do jardineiro melhorara a vibração dos idosos; e como os seus responsáveis
(pagantes) comentavam satisfeitos a visível transformação nos semblantes de
seus parentes, o receio deu lugar ao pragmatismo, e o salário de seu João
mereceu substancioso aumento – nada como tratar com carinho a galinha dos ovos
de ouro!
Certo dia, o jardineiro percebeu que um dos moradores,
mesmo tentando disfarçar, esforçava-se para ouvir os seus bate-papos com as
plantas.
Seu João fez que não percebeu, e continuou conversando,
risonho.
No outro dia, a mesma curiosidade. Foi quando o jardineiro,
não se contendo, virou para o idoso e explicou que não se perturbava em dividir
o assunto com quem quer que fosse, mas as roseiras eram um tanto melindrosas, e
gostariam de saber do seu interesse.
É claro que o morador não sabia onde se enfiar. E, pedindo
desculpas ao roseiral, passou a explicar o porquê tentava escutar o que
falavam. Disse que não se envergonhava de falar com as plantas; muito pelo
contrário, fazia-lhe muito bem. Mas as conversas travadas por seu João pareciam
ser... reais! como se ele verdadeiramente ouvisse respostas, apelos,
confissões!... E terminou confessando, um tanto sem jeito, que temia ficar como
ele, um pouco... maluco.
O jardineiro, que não se ofendeu, explicou que fala com as
plantas desde a infância. Mas foi na adolescência, quando os conflitos
começaram a amontoar, que ele se perguntou se o que ouvia era mesmo verdade ou
apenas fruto da imaginação. E como não queria que o apontassem como lunático,
decidiu que só falaria com pessoas; não abriria exceção nem para os animais de
estimação.
O idoso era só ouvidos.
Ao que parece, contudo, prosseguiu seu João, as plantas da
redondeza não gostaram daquela decisão, e resolveram provar que ele nunca fora
louco. Daí que, certa tarde, depois de ter pulado o muro do vizinho, quando
alcançava a goiabeira, foi por ela avisado (aos gritos) para que estacasse, haja
vista as urtigas plantadas em seu redor pelo dono da casa, com a intenção de
dar uma lição no ladrãozinho. E ao prestar atenção, o adolescente constatou que
havia, sim, mudas de urtiga-brava desejosas de serem roçadas pelos desavisados.
O idoso não teve coragem de comentar. Mas levantara a
sobrancelha direita, o que lhe denunciava o pensamento.
O jardineiro, por sua vez, retrucou que os crisântemos que
estavam próximos acabavam de assoprar-lhe um recado, mensagem esta que veio
sendo passada de planta para planta.
O ouvinte franziu a testa. E seu João transmitiu o que
recebera: A muda de boldo que ele cultivava em seu apartamento, e que sempre
foi eficaz quando das crises de má digestão, concordava com o seu confidente
sobre a ineficácia ulterior do seu chá e sobre a suspeita de uma úlcera. E o
aconselhava a procurar o médico do Jardim das Hortênsias o mais rápido
possível.
O morador arregalou os olhos!
Ora, como ele não comentou com ninguém sobre essa suspeita
– salvo com sua muda de boldo, a baixíssima voz e na intimidade do seu quarto
–, era evidente que o jardineiro podia, sim, ouvir perfeitamente tudo o que as
plantas falavam!
E como essa comprovação abalou bastante o espírito do
idoso, seu João teve que acudi-lo, pois desfalecia, e o amparou até o banco
mais próximo.
Assim que bebeu um pouco de água, o morador sentiu-se
melhor. E prometeu ir consultar-se com o médico no mesmo dia, no que foi
estimulado pelo jardineiro.
Nem se precisaria
dizer que aquele idoso espalhou o que presenciara aos quatro cantos da Casa de
Repouso... E uma longa fila formou-se à porta da cozinha, onde sabiam que seu
João apreciava um cafezinho recém-passado antes de ir embora.
E por quê? Porque
todos queriam ouvir de suas plantas prognósticos acerca da saúde, opiniões
sobre cláusulas testamentárias, conselhos relativos a pretensões amorosas,
fofocas concernentes aos rivais de Bocha…
O jardineiro foi
pego de surpresa. E se demorou um pouco para entender o que se passava,
levou outro tanto para decidir o que faria.
Mas antes que fosse ter com os moradores, o gerente do
Jardim das Hortênsias, seu Abelardo, entrou na cozinha e trancou a porta,
deixando os idosos do lado de fora. Em seguida, pediu para que os funcionários
os deixassem a sós, e eles se foram pela porta traseira, que dava para o pátio.
O administrador puxou de um banquinho e pediu para que seu
João permanecesse sentado. O momento era delicado e precisavam pôr ordem na
Casa de Repouso antes que a diretoria soubesse dos fatos e resolvesse intervir
– Cabeças poderiam rolar...
De primeiro, seu Abelardo elogiou o jardineiro, haja vista todos
saberem que sua maneira de trabalhar implicou benefícios efetivos para os
moradores, para os funcionários, e, por consequência, para o Jardim das Hortênsias.
De outra parte, disse que acorreu à cozinha assim que ficou sabendo que a fila
formara-se em decorrência da crendice de que o jardineiro realmente
ouvia o que as plantas falavam, ao contrário do que se passava com os demais,
um monólogo travestido de diálogo.
Seu João ouvia com humildade.
Por fim, o gerente perguntou como poderiam acalmar os
idosos para que a vida na Casa de Repouso voltasse à normalidade?
O jardineiro respondeu que a ideia que lhe veio à mente foi
a de satisfazer a curiosidade dos idosos. Em outras palavras, toda vez que ele
fosse cuidar de uma planta cultivada no interior de um dos aposentos, ele
aproveitaria para servir de intérprete, caso o morador lhe fizesse alguma
pergunta.
O administrador não sabia se ria ou ralhava. Mas como o
burburinho aumentava, e como tal sugestão pareceu que contentaria os idosos,
seu Abelardo engoliu a prevenção e acabou concordando. Pedia, contudo, que ele
fosse contar a solução para a fila, enfatizando que as interpretações só
começariam no dia seguinte. Ademais, que pedisse respeito ao seu horário de
trabalho, paciência quanto à ordem de atendimento, e que não houvesse
inquietação, visto que ninguém seria esquecido ou preterido.
De fato, tudo o que seu João disse e pediu foi acatado
pelos moradores. E a fila desfez-se.
O gerente ficou satisfeito. E antes de retomar a rotina,
pediu para o jardineiro, encarecidamente, que não causasse mais turbulências.
Afinal, tinha família para sustentar, e perder o emprego não estava nos seus
planos – Seu João concordou com um movimento de cabeça.
No dia seguinte, a cada vez que o jardineiro batia à porta
de um apartamento – em que havia pelo menos um vaso cultivado –, deparava-se
com o seu ocupante que, ansioso e sorridente, sentado ou em pé, o aguardava
desde muito cedo.
Desta forma, tão logo terminasse a jardinagem, era
bombardeado com várias perguntas, que traduzia da melhor forma possível.
E alegrava-se quando o idoso sorria ante a resposta de que
seu filho estava a caminho, e que trazia esposa e netos para visitá-lo; de que
os companheiros do Jardim das Hortênsias só fingiam ter esquecido o seu
aniversário, que era surpresa; ou de que aquela dor que o atemorizava, longe de
ser câncer, não passava de moléstia perfeitamente curável.
E divertia-se quando a planta recomendava ao idoso que não
mais guardasse asinhas de frango debaixo do travesseiro visando a um lanchinho
na madrugada; que parasse de tentar enganar a fisioterapeuta quanto ao número
de agachamentos que jurava ter feito; ou que se abstivesse de urinar no jardim,
pois era mentira que isso fazia bem à grama ou ao caule das amigas.
E admirava-se quando a moradora era advertida de que só
voltariam a conversar se não mais ouvisse reclamações sobre sua demora em
florir; se não priorizasse a navegação na Internet em detrimento da arte da frivolité;
e se parasse de invejar a companheira do quarto ao lado, que lhe era mais velha
e mais bem-disposta.
E condoía-se quando a planta tentava consolar a sua
proprietária, que recebeu um telefonema contando sobre o falecimento de uma
irmã; que deixou espatifar contra o chão o Casal Enamorado de biscuit
que ganhara do falecido marido como presente de noivado; ou que ficou sabendo
que aquela promoção veiculada por certa rede social, e que agarrou sem
pestanejar, não passava de mais um golpe.
Súbito, essa rotina foi abalada por uma notícia que vazou e
se espalhou mais rápido que fofoca em grupos de WhatsApp. Um dos diretores, o
mais desconfiado, mandou fazer uma auditoria nas contas da Casa de Repouso. E
descobriram que uma fortuna vinha sendo desviada há pelo menos dois anos. A
autoria, porém, era inconclusiva.
A revolta, por óbvio, tomou conta dos moradores, visto que
ninguém gosta de saber que sua casa está sendo assaltada.
Os funcionários ficaram boquiabertos, menos pela indignação
do que pelo medo de serem acusados.
Por força dessa hecatombe, aquele diretor convocou uma
reunião com os outros sócios, com o auditor e com seu Abelardo para o mesmo dia.
Era preciso agissem rapidamente, já que o autor dos desvios tudo faria para
apagar suas pegadas.
Essa movimentação foi apreendida por alguns idosos. E os
mais atilados logo se prontificaram a ajudar. Um, pondo à disposição toda a sua
experiência de vida como contador; outro, gabando-se que elucidou vários casos
de infidelidade conjugal, quando atuava como investigador particular; e um terceiro,
garantindo que era amigo pessoal de um vidente de mão cheia.
A gerência agradeceu as iniciativas, mas as dispensou com a
gentileza habitual.
E como ouvissem que a prisão do ladrão não tardaria,
alternativas não tiveram aqueles moradores senão as de retomarem a pacatez de
suas vidas.
O local escolhido
para a reunião foi a sala de seu Abelardo, por ser mais reservada e
confortável.
O auditor recebeu a palavra e esclareceu os fatos para quem
ainda não os conhecia.
Terminada a explicação, a indignação só não se prolongou
porque um dos sócios começou a espirrar – era a rinite que o atacava.
Como a frequência dos espirros só aumentava, o alérgico
perguntou, à voz desesperada, se havia alguma planta por perto.
O gerente, que se envergonhava, apontou um canto esquecido
do cômodo onde havia um vaso de grande porte que continha um ramo de artemísia
e algumas gramíneas.
Com voz entrecortada pelos espirros, o sócio “pediu” para
que sumissem com o vaso, uma vez que o pólen dessas plantas é, de longe, o
principal responsável pelas alergias respiratórias.
Neste exato momento, seu João passava a poucos metros da
janela.
O administrador gritou para que viesse ajudá-lo, já que o
vaso era muito pesado para ser removido por uma só pessoa.
Assim que o jardineiro entrou, seu Abelardo mandou que o
ajudasse a removê-lo – Não houve sequer tempo para cumprimentos.
Só que no momento em que seu João se aproximou do vaso, as
plantas pediram para que parasse e as escutasse com muita atenção.
O jardineiro ficou aturdido, pois o gerente agarrara o seu
lado do vaso e já o questionava (com os olhos) sobre o motivo de não ter
avançado.
E no átimo que medeia a ação e a reprimenda, as plantas,
exaustas de serem mal cuidadas pelo administrador, resolviam
desforrar-se.
A mensagem, ouvia-a seu João, perplexo!…
Nesse comenos, o sócio alérgico, porque indignado,
questionou-os sobre a demora. E seu Abelardo, enérgico, mandou que o jardineiro
agarrasse o vaso.
Toda essa aspereza foi percebida por um dos idosos que por
ali passava. E como fosse bisbilhoteiro, tratou de aproximar-se da janela e
apurar a escuta – Essa indiscrição chamou a atenção de outros moradores, que
também se achegaram, curiosos.
Mas seu João não obedeceu àquela ordem. E, virando-se para
a diretoria, pediu licença para repassar o que acabara de ouvir de suas novas
pacientes.
Todos, é claro, arregalaram os olhos; sendo que o sócio
atacado pela rinite até parou de espirrar.
O gerente, então, pediu, por entre dentes cerrados, para
que o jardineiro calasse a boca e não o envergonhasse.
Mas seu João pouco se importou com a súplica. E tornou a
pedir licença para repassar o que sabia.
O mais sereno dos sócios, porque achasse que o momento
precisava de certo alívio, resolveu tomar a frente e deu a palavra para o
jardineiro.
E antes que os outros sócios se insurgissem, seu João
afirmava que o único responsável pelo desvio de dinheiro era ninguém menos que
o próprio gerente!
Seria desnecessário dizer que as reações foram imediatas. O
sócio que encomendou a auditoria soltou um “Valha-me Deus!...”; o alérgico, um
“Que idiotice é essa?!”; o sossegado limitou-se a uma rápida risada; o auditor
meneou a cabeça, em sinal de reprovação; e o administrador, ultrajado, teve
gana de avançar no pescoço do jardineiro, mas recuou quando percebeu os idosos
que o encaravam pela janela.
O desconforto era geral. Seu Abelardo, funcionário de longa
data, sempre mereceu dos sócios total confiança; e dos subalternos, admiração e
respeito. Como, agora, esse sujeitinho tinha a coragem de apontá-lo como
criminoso, e, ainda por cima, baseando-se nos “testemunhos” de plantas?! Seria
caso de internação em hospício, não fosse o fato de que o sócio mais tranquilo
se lembrava de que era 1º de abril – se a mentira fora muito bem urdida, não
deixava de ser de extremo mau gosto.
Mas seu João retrucou que nada era mentira; reafirmou o que
lhe disseram; e, de dedo em riste, chamou o gerente de ladrão.
Só não brigaram porque o sócio comedido interpôs-se entre
ambos, dando tempo para que o auditor tomasse seu João pelo braço e o levasse
para fora.
O jardineiro foi demitido em seguida. E partiu sem poder
despedir-se de ninguém.
Os debates prosseguiram, mas de janelas fechadas e cortinas
abaixadas. E concluíram que, por força das circunstâncias, o mais provável
seria que o larápio suspendesse a atividade criminosa e se mantivesse na
obscuridade por um bom tempo. No entanto, o auditor prometia, e por sua honra,
que, na menor vacilada, ele o identificaria e o colocaria diante dos sócios.
Finda a reunião, e todos se foram. Menos o administrador,
que ficou incumbido de achar uma justificativa para a demissão do jardineiro
que pudesse ser oferecida aos moradores e aos funcionários de maneira a não
criar revoltas nem estimular especulações.
Seu Abelardo sentou-se em sua poltrona, apoiou os cotovelos
sobre a mesa, e pôs-se a esfregar as mãos.
Depois de alguns minutos, a justificativa corporificou-se, e
o contentou.
Só que antes de apresentá-la, o gerente virou-se para as
plantas, e sorriu.
Em seguida, levantou-se calmamente, saiu da sala a passos
lentos, e dirigiu-se ao almoxarifado. E não foi preciso muito tempo para reencontrar
o velho maçarico – tinha contas para acertar...